No Festival Literário Internacional de Paraty de 2004, eu literalmente caí de pára-quedas numa pelada do Chico Buarque contra um time local. Joguei na equipe dos “artistas” e a partida terminou 3 a 2. Depois de uma bela jogada minha pela esquerda, cruzo rasteiro na área para o meu irmão fazer o gol da virada, o gol da vitória.
Cinco anos depois e o compositor de “Mulheres de Atenas” está de volta para divulgar o livro “Leite Derramado”. Eu também. Minha mãe conhece um cara que trabalha com ele. Peço ajuda a ela, ela topa, aceita me ajudar. Meus olhos brilham, minhas chuteiras também. As coloco na mala, dentro de um saco plástico.
Quinta-feira, almoço super cool em Paraty, ela está diante desta pessoa, que conversava com o colunista do jornal O Globo Ancelmo Gois, o mesmo que entregou Adriano, o comedor de cachorro-quente. Mamãe conta como foi a conversa.
- Você sabe se o Chico vai jogar futebol em Paraty dessa vez? Meu filho jogou com ele em 2004 e…
- Não, ele está contundido. Infelizmente não vai ter pelada.
Recebo a notícia com o coração partido e no dia seguinte minha mãe me mostra o jornal e diz:
- Paulo, você sem querer deu uma nota para o Ancelmo Gois. Ele ouviu a minha conversa com Fulano e publicou que o Chico está machucado e não vai ter futebol.
Li a nota, ri um pouco e me servi de suco de laranja.