Arquivo da categoria ‘celebridades’

Ancelmo

Julho 5, 2009

No Festival Literário Internacional de Paraty de 2004, eu literalmente caí de pára-quedas numa pelada do Chico Buarque contra um time local. Joguei na equipe dos “artistas” e a partida terminou 3 a 2. Depois de uma bela jogada minha pela esquerda, cruzo rasteiro na área para o meu irmão fazer o gol da virada, o gol da vitória.

Cinco anos depois e o compositor de “Mulheres de Atenas” está de volta para divulgar o livro “Leite Derramado”. Eu também. Minha mãe conhece um cara que trabalha com ele. Peço ajuda a ela, ela topa, aceita me ajudar. Meus olhos brilham, minhas chuteiras também. As coloco na mala, dentro de um saco plástico.

Quinta-feira, almoço super cool em Paraty, ela está diante desta pessoa, que conversava com o colunista do jornal O Globo Ancelmo Gois, o mesmo que entregou Adriano, o comedor de cachorro-quente. Mamãe conta como foi a conversa.

- Você sabe se o Chico vai jogar futebol em Paraty dessa vez? Meu filho jogou com ele em 2004 e…

- Não, ele está contundido. Infelizmente não vai ter pelada.

Recebo a notícia com o coração partido e no dia seguinte minha mãe me mostra o jornal e diz:

- Paulo, você sem querer deu uma nota para o Ancelmo Gois. Ele ouviu a minha conversa com Fulano e publicou que o Chico está machucado e não vai ter futebol.

Li a nota, ri um pouco e me servi de suco de laranja.

O grande erro da L´Oréal Paris

Janeiro 30, 2009

Desde que eu me entendo por gente a L´Oréal Paris faz pouco caso do Brasil em termos publicitários. Tratam a gente, quer dizer, as mulheres, como idiotas. Até quando vão continuar exibindo na TV anúncios dublados? Ninguém aguenta mais ver a Penélope Cruz ou a Sandra Bullock como se fossem o “Fucker and Sucker” do Casseta e Planeta. Não creio que seja muito caro colocar a Grazi Massafera – que foi contratada recentemente para ser a garota propaganda deles, só que de mídia impressa – também na TV.

Eu não sei quem é o responsável pela publicidade da L´Oréal por aqui, mas aposto cerca de duzentos reais que seja um francês, daqueles bem cabeça-dura e arrogante -”ah, arruma o dublador mais barato que tiver, só de ver uma celebridade gringa na TV, a consumidora brasileira vai gostar”.

Sorte que eles têm um produto excepcional, porque se fossem depender da qualidade e da criatividade dos seus anúncios na TV, a coisa estaria bem feia pro lado deles.

Obs.: Hoje (4 de fevereiro) eu descobri que a MTV é o único canal brasileiro que exibe um anúncio da L´Oréal feito por Vjs da emissora, ou seja, não é dublado.  Isso é um bom caminho, mas e quanto à Globo, SBT, Bandeirantes e muitos outros?

O dia em que conheci Nilmar, jogador do Inter

Dezembro 12, 2008

- Tenho aqui um convite para a cerimônia do Prêmio da CBF e outro para a festa, que acontece no MAM, logo após a entrega de prêmios. Você quer ir? – disse uma amiga minha no MSN.

- Sensacional! Que horas é? – eu disse.

- A entrega de prêmios é às 21 horas. A festa é logo em seguida, tipo 23 horas.

- Tenho um ensaio com a minha banda das 22 às 24 horas. Se eu fosse, chegaria só para a festa. Se bem que o meu carro vai estar cheio de tralha de ensaio (pratos, pedaleira, guitarra), então até chegar ao MAM depois de deixar tudo em casa, seria lá por volta de uma, uma e meia da manhã. E ainda teria que botar terno, né?

- Não tem como marcar o ensaio para outro dia?

- Pior que não tem. É o único dia e horário que os cinco integrantes podem.

- É…Talvez fique meio tarde mesmo, porque cai numa segunda-feira. Faz o seguinte, vou estar com o seu convite da festa, qualquer coisa me liga.

- É mesmo? Poxa, muito obrigado.

O ensaio não podia ter sido melhor. Fui pra casa muito animado e disposto a ir à festa, por mais que eu tivesse que acordar muito cedo no dia seguinte.

- Oi Fulana, tudo bem? Acabei de chegar em casa. Rola de ir pra festa?

- Com certeza Pilha! A festa está começando agora só, pode vir!

Como não podia ser diferente, abusei da caipirinha de tangerina – estava realmente estupenda. Conhecia poucas pessoas, mas conhecia muita gente de vista, a julgar pelo Washington, do Fluminense, Juan, do Flamengo, Caio Ribeiro, comentarista, Tcheco, do Grêmio, e tantos outros que no final das contas consomem um tempo assaz considerável da minha rotina de vida. Os empregados da festa, sobretudo os garçons, estavam em êxtase. Alguns até tiraram foto com os seus ídolos, o que não deve ter deixado o chefe deles muito contente.

Lá pelas tantas, encontro uma amiga que não via há pelo menos um ano. Conversa vai, conversa vem.

- Estou indo pra Pizzaria Guanabara agora. Quer ir?

- Pode ser – eu disse

- Tá indo também o Nilmar e um amigo dele.

- Tipo, o Nilmar Nilmar, o jogador?

- Esse mesmo.

- Entendi, vamos lá!

- Você tá de carro?

- Estou sim.

- Pode dar uma carona pra gente?

- É lógico.

Pouco tempo depois…

- Foi mal aí galera. Esqueci de tirar esses instrumentos do carro, tô achando que só vai caber eu e mais um.

Nilmar fez uma cara de “como assim? Que instrumentos são esses?” e foram os três pegar um táxi, me deixando sozinho no carro ao som de Little Joy, no volume 29.

Sentamos os quatro em uma mesa na varanda. Nilmar pegou o cardápio e disse que queria pedir uma pizza. Estava em dúvida em que tamanho pedir.

- Cara, faz o seguinte. Acho melhor você pedir fatia ao invés de média ou grande.

Ele seguiu o meu conselho e pediu uma fatia de Marguerita e uma Coca-Cola para acompanhar. Eu, o amigo dele e a minha amiga, pedimos um chopp.

- Esse cara é uma figura – disse o Nilmar, quando o amigo foi ao banheiro -, ficou tirando onda com o meu prêmio lá na festa, como se fosse dele.

- Ué, mas ele não é seu amigo? – eu disse.

- Não! Conheci hoje!

Realmente o cara era uma figura. Só ele praticamente falava na mesa, era o centro das atenções. Nilmar falava pouco, mas estava sempre rindo e se divertindo, sobretudo com os comentários deste ser, que eram ilustrados uma vez por minuto pelo impagável provérbio “você acha que eu fui pra escola pra comer merenda?”

Pelas declarações do Gustavo (nome fictício) cheguei à conclusão de que ele era um legítimo bicão de festa, visando sempre estar próximo das celebridades. Entre as suas histórias mais estapafúrdias, disse que tinha ficado com a Giovana Antonelli no Sushi Leblon e que chegou a jogar no Vasco da Gama, onde foi banco do Felipe, ex-Flamengo e ex-Vasco.

Disse a mim mesmo que ia ficar quieto, mas não resisti:

- Na boa cara, eu trocaria todos os atacantes do Flamengo por você. Com certeza a gente teria sido campeão brasileiro com você em campo.

- O Kleber Leite até me deu uma camisa do Flamengo escrito Nilmar, achei muito legal.

Ele disse que a sua família era do Paraná e que todos torcem para o São Paulo.

- Ué, então você é são paulino?

- Eu parei de torcer para o São Paulo quando cheguei no Inter, com 15 anos.

Não consigo me lembrar de mais nada que foi dito durante aquele encontro inesperado, mas sai com uma impressão muito boa do Nilmar. É um cara simples, bem-humorado, enfim, está longe de ser metido e arrogante, como muita gente famosa é.

Adoradores Enrustidos de Galvão Bueno

Outubro 24, 2008

Mesmo com comidinhas sensacionais, caipirinhas suculentas e grandes clássicos inusitados da década de 80 executados pelo “DJ Pod”, muitos convidados se acotovelaram no quarto da aniversariante – tinha gente sentada no chão, na cama e até em pé – para acompanhar a final masculina de vôlei das olimpíadas de Pequim entre Brasil e Estados Unidos. Xingamentos ferozes, não obstante a presença de lindas moças, eram ouvidos a cada ponto, seja do Brasil ou do adversário. Mas devo dizer que a escolha do canal me abalou pelo menos cem vezes mais do que a maneira pela qual os homens procuravam impressionar as moças solteiras ali espremidas.

 - Por que a gente não vê na Globo? Com o Galvão Bueno tem muito mais emoção! – teria dito eu.

Quase fui expulso do quarto. Dos cerca de vinte presentes, apenas um ou dois timidamente concordaram comigo. Disseram que o Galvão era um imbecil, que era inadmissível ele narrar futebol, natação, Fórmula 1, atletismo, que isso seria muita pretensão não só da sua parte, como da parte de qualquer ser humano. Ouvi as críticas calmamente e rebati:

- Vocês conseguiriam ver uma final de Copa do Mundo pela televisão, com o Brasil jogando logicamente, sem a narração do Galvão?

galvaoovo1

Parecia aquelas transmissões internacionais ao vivo, onde o enviado especial leva um certo tempo para ouvir a pergunta do jornalista que está no Brasil. Responderam com menos veemência, mas mantiveram a postura anti-Galvão, deixando bastante nítido para mim que o orgulho deles tinha falado mais alto.

Concordo que ele fala muita bobagem, mas a emoção transmitida em suas transmissões nenhum outro narrador transmite. O que seria do Ayrton Senna sem o Galvão? Podem me xingar que eu não ligo. O que seria do Rrrrrrrrrrronaldinho sem ele? O que seria do Taffarel – “sai que é suuuuuuuuuuua Taffarel”? O que seria do programa “Bem, amigos”? O que não falta por aí é anti-Galvão assistindo jogo na Globo com a desculpa de que a transmissão do Sportv é pior. Conta outra, ok? Está cheio de comunidade no Orkut pregando o seu fim, mas eu acho que muita gente que diz que ele é ridículo, poderia tranquilamente fazer parte da comunidade “Adoradores Enrustidos do Galvão Bueno”.