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Paulo Pilha, o video maker de Salvador

Abril 1, 2009

Um tal de “rootsculture” estava há alguns dias tentando me adicionar no MSN. Recusei duas vezes, mas na terceira tentativa do cara, eu acabei aceitando.Aqui vai a réplica do nosso primeiro e último diálogo:

rootsculture diz:
alow paulo td certo contigo?

rootsculture diz:
não sei se vc lembra de mim, lhe dei uma carona no dia do show de popó no irdeb, Jessé meu nome

Paulo diz:
opa

rootsculture diz:
preciso do seu contato, seu tel e afins

Paulo diz:
show de popó?

rootsculture diz:
red meditation

rootsculture diz:
e arkeingelle e dj kobie

Paulo diz:
i cara, acho q vc ta me confundindo com outra pessoa

rootsculture diz:
no irdeb – vc é paulo pilha que trab com cam? filmagem?

Paulo diz:
nao

Paulo diz:
sou musico

rootsculture diz:
…então ocartão dele está errado, peguei este msn do cartão

rootsculture diz:
vc é de ssa?

Paulo diz:
serio?

Paulo diz:
msn do cartao dele?

Paulo diz:
engraçado, eu nem tenho cartao

rootsculture diz:
creio que sim, deve ter sido erro de grafia

rootsculture diz:
não é vc

rootsculture diz:
é um video maker

Paulo diz:
é, nao sou eu

Paulo diz:
estou longe de ser um video maker

Paulo diz:
hehe

rootsculture diz:
oks então, desculpe aí

rootsculture diz:
by the way, visite nossa festa

rootsculture diz:
www.firereggae.com

Paulo diz:
to dando uma olhada..

Paulo diz:
mas, farol da barra..

Paulo diz:
isso nao fica em salvador?

rootsculture diz:
é sim

Paulo diz:
heheh

Paulo diz:
eu sou do rio

Paulo diz:
q doideira

rootsculture diz:
normal..acontece

Paulo diz:
é verdade..

Paulo diz:
boa sorte aí!

Paulo diz:
abraço

rootsculture diz:
boa sorte pra vc tb

Meu encontro com o Ritchie

Outubro 17, 2008

           

 

 

             Uma pessoa do meu convívio teve a brilhante idéia de me apresentar a um grande ícone do rock brasileiro da década de oitenta, no momento em que retornava, distraidamente, envolto de preocupações descartáveis, do primoroso toalete da livraria Argumento, que fica no Café Severino – uma espécie de apêndice da livraria.

         - Opa! Tudo bom? – teria dito eu.

         - Você o conhece? – disse o apresentador.

         - Mas é lógico. Já toquei muito no violão “Menina Veneno” e ainda toco até hoje. Esta música é sensacional!

         Ritchie estava acompanhado da mulher, com quem é casado há muitos anos. Esboçava uma simpatia invejável, digna de um homem que não sente inveja de outros homens.

         - Que legal! Você toca ela em que tom?

         Apesar de ter estranhado a pergunta, fui rápido no gatilho, o que gerou um olhar de aprovação por parte do apresentador.

         - Toco em dó.

         - Eu também! – disse o cantor, bastante animado.

         - É mesmo? – eu disse – Tenho a impressão de que esta música foi gravada em ré ou em mi, não sei.

         - Gravei em ré, mas sempre toquei em dó. Aliás, não sei como eu consegui gravar em ré essa música, pelo visto eu tinha mais voz naquela época. Eu te perguntei isso porque todos os sites de cifras na internet têm versões dessa música em fá, não sei de onde eles tiraram isso. Fica muito agudo.

         - Muito estranho mesmo, normalmente eles tiram as músicas no mesmo tom do original – eu disse.

         - Pois é! Não faz sentido!

         A conversa perdeu força por alguns minutos devido a pessoas que chegavam a todo instante para cumprimentar e trocar algumas palavras com Ritche, sua mulher e o apresentador. Ganhou força novamente quando introduzi o seguinte assunto:

         - Acabei de ler o livro do Midani. Ele conta que mostrou as suas músicas para pessoas próximas e todos acharam que era loucura lançar um disco seu, mas ele resolveu lançar assim mesmo e deu no que deu, sucesso absoluto!

         - Isso é mentira – disse a mulher dele, que até então pouco havia participado da conversa.

         - O meu disco foi lançado pela gravadora concorrente – disse o cantor sorrindo.

         Pouco depois, nos despedimos. “Então você toca também? Legal! É muito fácil lembrar esse nome, Paulo Pilha, depois vou entrar no seu myspace…”

         Estava certo de que tinha descoberto, sem querer, um grande furo jornalístico, mas na verdade, depois de consultar o livro do André Midani (um dos maiores nomes da indústria fonográfica brasileira e mundial) novamente, estava diante de um sério problema de memória deste que vos escreve. A banda que ele lançou contra a vontade dos amigos era o Ultraje a Rigor, liderado pelo Roger – confundi Ritchie com Roger, mas até que os nomes são parecidos, começam com a mesma letra.

         Fiquei chateado com esse episódio, pois a minha gafe fez com que o Ritchie e sua mulher pensassem que o André Midani é um mentiroso. Espero encontrá-los o mais breve possível para desfazer este mal entendido.

 

Obs.: Semana passada eu fiquei bastante doente e acabei não atualizando o blog, lamento por este infortúnio.

Contabilidade

Outubro 4, 2008

No dia 11 de março de 2008, percorrendo as estantes do meu quarto, localizei livros que eu já tinha lido, livros que eu pretendia ler e livros que eu não sabia se tinha lido – o que me deixou bastante triste. Se não bastasse isso, me dei conta de que alguns, certamente lidos, não estavam mais no meu quarto. Tanto tempo gasto lendo livros para depois esquecer o enredo das histórias, o nome dos escritores, título. Precisava tomar alguma providência

No dia seguinte eu criei uma planilha de excel onde passei a contabilizar a minha leitura diária. Estipulei uma meta de 15 páginas por dia e somente livros entrariam na contagem. Revistas, jornais, histórias em quadrinhos, livros de auto-ajuda e blogs ficariam de fora. Por mais que eu não tenha alcançado diversas vezes a meta diária de 15 páginas, diria que não estou desapontado com a média de mais ou menos 11 páginas por dia em 6 meses, equivalente a 2.229 páginas lidas ou 8 livros. Cinco biografias (Silva Porto, Tim Maia, André Midani, Eric Clapton e Maitê Proença) e três romances ( Trilogia de Nova York e Noite do Oráculo, de Paul Auster, e A Menina que Roubava Livros, de Marcus Zusak). Destaque para “A Menina que Roubava Livros” e “Música, Ídolos e Poder”, a autobiografia de André Midani, peça chave na música brasileira.

Também tenho uma planilha de gols, mas esta começou um ano antes, em março de 2007. A planilha de leitura é bastante semelhante, com colunas de ano, mês, dia, mas a de gols é mais rica, possui mais colunas como número de vitórias, empates e derrotas, além de uma nota para a minha atuação em cada um dos dias. Destaque para o dia 20 de setembro, quando marquei 6 gols em uma partida e no dia 24 de maio, quando me dei nota 9.

Possuo no momento 70 gols, 31 vitórias, 31 derrotas e 7 empates na minha pelada de sábado, jogo outra todas as quintas. Uma marca não muito boa que pretendo melhorar amanhã.

Perna de Carneiro

Setembro 20, 2008

         Após três meses parado, devido a uma contusão no pé direito, voltei a jogar futebol anteontem. O meu preparo físico, que nunca foi muito bom, não obstante o meu apelido, estava abaixo da crítica neste sábado. Sai de campo esgotado, com dois pensamentos na cabeça: “fôlego de minhoca” e “preciso correr já”.

         Não conversei mais sobre isso comigo mesmo até hoje, quando resolvi que iria correr três vezes por semana – segundas, quartas e sextas.

Uma vez na ciclovia da praia do Leblon, andei um pouco e corri “General Urquiza – Posto 10 – General Urquiza”. Tudo bem, não é muita coisa, mas foi um bom começo. Na volta pra casa, entrei na minha locadora:

         - Boa noite, tem algum filme do Michael Moore que não seja Fahrenheit, Sicko ou Tiros em Columbine?

         - Não, senhor.

         Dei uma olhada na seção “Super Lançamentos” e não me interessei por filme nenhum enquanto duas televisões exibiam um show da Amy Winehouse. Ela pode ser burra, drogada, maluca, bruxa, o que quer que seja, mas é uma cantora fora de série. Bati o olho no filme “Ela é o Cara”, com Amanda Bynes no papel principal, e me lembrei que já estive perto de ver essa porcaria numa sessão de filmes com amigos – depois eles e as pessoas em geral não entendem porque eu gosto tanto de ir ao cinema sozinho. Mas e se o filme não fosse de todo ruim e eu estivesse sendo preconceituoso? Resolvi então ler a sinopse, mas antes bati o olho em uma daquelas críticas positivas de jornal que dizia “não é como as grande maioria dos filmes de comédia…”. Li mais umas seis vezes este comentário só para me certificar de que aquele erro inadmissível tinha mesmo sido admitido e fui pra casa sem ter lido a sinopse.

         Abri a geladeira, peguei um mate, entrei na sala, liguei a TV. Os convidados do programa “Bem, Amigos” do Sportv eram Diego Souza, do Palmeiras, e Rogério Ceni, do São Paulo. Gosto muito deste programa, porém raramente assisto. Tanto que eu não sabia que o cardápio do jantar era exibido ao vivo. Rogério Ceni, assim como eu, estranhou o prato “perna de carneiro” – “perna de carneiro?”, disse ele, sem resposta. Será que ele pensou a mesma coisa que eu? De que o certo seria pata de carneiro? Mas quem disse que pata de carneiro é o certo? Desliguei a TV e mergulhei no primeiro conto do livro “Os Dublinenses”, de James Joyce. Parei de ler na terceira página, após a leitura do trecho abaixo:

 

“…E é isso que me dá forças hoje em dia. A educação é importante e tudo o mais…Mr Cotter vai aceitar um pedacinho dessa perna de carneiro – ele acrescentou, dirigindo-se a minha tia.”

Vereador Sergio Mallandro – não é piada!

Agosto 28, 2008

 

 

Quando recebi a notícia por e-mail, pensei que era alguma brincadeira eleitoral. Antes fosse.

 

 

 

A primeira coisa que eu li no seu site foram os dez mandamentos que ele criou para ser um bom vereador:

 

1° mandamento: Gostar do povo

Interessante. Talvez ele tenha se inspirado na doutrina budista do caminho do meio. Com isso, ele apenas gosta do povo, não ama, nem odeia. Vamos ao próximo.

2° mandamento: Ter consciência e seriedade

Concordo com ele, “fazer glu-glu”, “salcifufu”,“bilutetéia” (no site está errado, está escrito “bilutetétia”) e “piu-piu au-au” tem hora.

3° mandamento: Ser mais humano

Concordo. Ainda mais no caso dele, que sempre foi um palhaço.

4° mandamento: Ter coragem

Tem que ser muito corajoso mesmo para se candidatar com o seu currículo, que tem como destaque a sua incrível participação no filme “Lua de Cristal”, de Xuxa Meneghel, e o quadro “Porta dos Desesperados” – sucesso nacional.

5° mandamento: Se colocar no lugar dos menos favorecidos

É parecido com o terceiro mandamento, mas tudo bem. Vamos em frente.

6° mandamento: Ter uma religião e acreditar em Deus

No site está escrito “para ser um bom vereador, criei dez mandamentos”. Eu interpretei que os mandamentos são apenas para ele e não para seus eleitores. Sendo assim, tudo certo quanto ao sexto mandamento. Caso contrário, estaria encrencado, visto que não tenho uma religião, tampouco acredito em Deus.

7° mandamento: Cuidar das crianças como fossem seus filhos

Como muitos pais maltratam seus filhos, não gostei do sétimo mandamento. Isso implica que se o filho de Beltrano é maltratado, ele também irá maltratar o filho dele. Tudo bem, acho que peguei pesado. Adiante.

8° Lutar pelo direito de todos na saúde, educação, cultura, esporte, segurança e onde for preciso

Sem comentários. Próximo.

9° Ter vergonha na cara e saber que todos nós somos iguais, independente de raça ou classe social

Começar um mandamento com “ter vergonha na cara” mostra que ele precisa mesmo ter vergonha na cara. Ainda mais para alguém que busca “ter consciência e seriedade”. Quanto à segunda parte, vejam que ele não fala em religião –“independente de raça ou classe social” – fazendo jus ao sexto mandamento.

10° Saber que São Paulo nasceu para todos

Esqueci de dizer que ele é candidato em São Paulo. Logo ele, que tem um forte sotaque carioca e até onde sei, sempre morou no Rio.  

 

Apesar da pouca quantidade de material escrito, o site possui muitos erros. Ao clicar em “vídeos”, por exemplo, o primeiro é “Sergio Mallandro na Caminha com Alckmin”. Pensei que eu iria encontrar os dois deitados, abraçadinhos, numa caminha de criança, mas o que assisti foi uma “Caminhada”, na qual só vi cartazes do nosso candidato. Ele – em carne e osso – não aparece no vídeo. Por que “Caminhada” é com letra maiúscula?  Me deparei também com “País”, “Cidade” e “Lei Seca”, só para citar alguns exemplos. Lógico, tem também “Caminha”, ou melhor, “Caminhada”.

Ao abrir a seção de “propostas”, o internauta se depara com seis tópicos: cultura, educação, saúde, transporte, esporte e segurança. Para a cultura, Sergio diz que “vamos abrir oportunidades para os artistas mostrarem seu trabalho em praças públicas durante sábados e domingos”. Então quer dizer que os artistas vão mostrar as minhas músicas em praça pública todo fim de semana? Fico lisonjeado, mas acho que seria mais justo se os artistas mostrassem “seus trabalhos”.

Para a educação, Sergio possui 12 propostas, entre elas, “criar novas créches e aumentar a capacidade das já existentes”. Pena que a palavra creche não leva acento.

Para a segurança, ele quer “implantar cabines da guarda municipal em terminais de ônibus, permitando a circulação de cidadãos 24 horas” e para o esporte ele quer “quadras poliesportivas em praças públicas de comunidades carentes, com a finalidade de incentivar o esporte e descobrir novos taletos para o País”. São apenas sete linhas, três propostas, mas ainda assim, “taletos” passou batido.

Na saúde, Sergio quer dentista e cesta básica para todos e no tópico transporte, ele revoluciona com o “projeto corujão: Transporte público durante a noite para trabalhadores e boêmios, evitando assim o conflito com a Lei Seca”. Se não bastasse isso, ele quer “aumentar as cliclovias (o que é cliclovia, alguém sabe?) na Cidade de São Paulo, além de diminuir a quantidade de carros, vamos incentivar a saúde e o esporte”. Mallandro pelo visto esqueceu que tinha criado um tópico específico para a saúde e outro para o esporte e não se importou com a publicação desta frase medonha no seu site – que não tem cabeça, só tem pé. Com apenas 4 propostas para transporte, ele conseguiu que mais uma fosse publicada da seguinte maneira: “Vamos brigar pela criação de novos corredores para motociclistas, evitando assim o conflito entre motos e carros. Aumentando assim a segurança de todos”.

Evitando assim o meu respeito. Aumentando assim o meu desgosto.

 

Não está acreditando?  http://www.sergiomallandro14800.can.br/  

Sem brigas

Agosto 4, 2008

  

         Era uma festa incomum, no bairro das laranjeiras. Num quarto era exibido um filme surrealista, num banheiro minúsculo o convidado se deparava com uma exposição de fotos  e a escada da entrada da casa era decorada por cordas vermelhas amarradas no corrimão que dificultavam bastante a passagem dos convidados, de modo que no fim da festa, aquela linda obra de arte estava completamente desgrenhada.

         As realizadoras da festa tiveram a grande idéia de contratar duas pessoas humildes (nada de homens de terno e gravata fazendo caipirinhas e oferecendo whisky) para vender cervejas em lata e salgadinhos como se estivessem nos arredores do Maracanã. Terceirizaram talvez a pior parte de uma festa feita em casa. Era uma mulher e um rapaz mais jovem. Perguntei a ele se  tinha cerveja Itaipava. Cavucou o isopor e encontrou. Agradeci e ele disse “sem brigas”.

         Sem brigas? Sorvia minha lata pensativo, muito pensativo. Será que eu tinha gritado com alguém ou empurrado algum amigo sem ter me dado conta? Não demorou no entanto para eu esquecer rapidamente o que aquele simpático rapaz havia me dito.

A banda Escambo, formada pelos meus amigos de infância Thiago Thiago de Mello, Renato Frazão e Lucas Dain, iria se apresentar em breve e eu iria fazer uma participação especial tocando “Pedrão” e “Não Sei quem Foi Descartes”, voz e violão. Acompanhei o processo de montagem de palco enquanto as pessoas iam chegando aos poucos. Estava na hora da segunda cerveja da noite. “Sem brigas”, ele disse. Fiquei ali parado mais pensativo que antes. Fingi que lia o rótulo de um vinho ordinário. “Você quer esse vinho? É muito bom.” “Acho que vou ficar na cerveja mesmo…”

Não era possível que ele não percebia que ao dizer aquilo o tempo todo ele estava na verdade incitando a violência e não o contrário. Sua atitude era semelhante a de alguns artistas independentes que não podem ouvir um simples “gostei das tuas músicas” que já pedem pra você entrar na comunidade do orkut, se inscrever no mailing, no fotolog, querem que você baixe o disco inteiro no trama virtual, que você participe da gravação do novo clipe deles, que você ajude a nomear o novo disco, enfim, o Bad Religion, meu grupo preferido, tem uma canção cujo título define muito bem o que seria de fato a estratégia utilizada por estes artistas pentelhos: “Recipe For Hate”, traduzindo, “Receita para o ódio”.

         Pedi mais uma cerveja e vi que a receita do meu simpático vendedor estava surtindo efeito quando disse pela terceira vez “sem brigas”. Será que ele dizia aquilo para todo mundo ou era só pra mim? Fiquei ali por perto fingindo que falava no celular esperando a chegada de novos clientes. E para a minha revolta, o primeiro freguês não teve o mesmo tratamento que eu. Fiquei mais confuso ainda quando ele disse “sem brigas” para umas quatro pessoas das nove que chegaram em seguida. E então, meu amigo leitor, que motivo leva o vendedor dizer “sem brigas”?

         Se você quiser saber a resposta, me escreva – paulo_pilha@yahoo.com.br

Crédito da foto: http://www.avecreeew.blogspot.com/

 

 

 

 

 

 

 

O que fazer para escapar da lei seca

Julho 26, 2008

Agora com uma nova letra, um pouco maior – Arial, 13. 

 

Compre uma batina e um par de sandálias franciscanas. Coloque tudo numa sacola e deixe na mala do seu carro. No fim da night (balada, para os paulistas), aproveite que o estacionamento está vazio, já são quatro e meia da manhã, e troque de roupa ali mesmo. Tenho certeza que o único empregado dorminhoco do local, não vai se importar, além do que, você já pagou o preço fixo de dez reais na entrada. Coloque a calça jeans, a camisa e o tênis na sacola (é uma pena que você também tenha aderido à nova moda juvenil que rejeita camisa social e sapato na night – balada, para os paulistas) e deixe essa roupa fedorenta de cigarro debaixo do banco. Não se esqueça que um óculos de nerd para acompanhar seria muito bem-vindo. Caso você seja parado numa blitz, é só dizer que o dia foi bastante agitado:

         - Boa noite seu padre. Queira me acompanhar para fazer o teste do bafômetro.

         - Pois não – você responde, mal se agüentando em pé.

         - Senhor, o máximo permitido é 0,20 grama de álcool por litro de sangue e o senhor está com 1,20 grama. Lamento em dizer, terei que confiscar a sua carteira de habilitação.

         - Mas seu guarda, o senhor se esqueceu que eu sou um padre?

         - Sim, e daí?

         - E daí que na missa, a eucaristia é um dos ritos mais importantes. Para os católicos, é o momento em que o vinho se transforma em sangue de Cristo.

         - Sim, e daí?

         - O que estou querendo dizer é que faz parte do meu trabalho tomar um pouquinho de vinho nas missas e hoje o dia foi bastante agitado, ou seja, tive duas missas de sétimo dia, um batismo pela manhã, duas missas convencionais e dois casamentos.

- É verdade, seu padre. Tinha me esquecido dessa questão do vinho. Me desculpe.

- Está tudo bem seu guarda. Posso te chamar de seu Ramos? O senhor acredita que eu só declarei marido e mulher, no meu último compromisso do dia, às duas horas da manhã? É lógico que eles preferiam que fosse bem mais cedo, mas o problema é que quando me contrataram, eu já tinha agendado um outro casamento em Petrópolis. Como faziam questão da minha presença, pagaram o meu táxi e tudo. Eles amam o meu “speech”. Não é o máximo?

- Impressionante. Ainda mais para um jovem de apenas vinte anos. Estou vendo agora aqui na sua carteira de motorista, padre Henrique.

- Pois é.

 

 

- Queria que você me ajudasse aqui numa questão. Estou com uma certa dúvida.

- Pois não.

Tendo em vista que 50 ml de vinho, que é o que estou considerando para cada uma das cerimônias, corresponde a 0,14 grama por litro de sangue, como pode o senhor ter consumido 1,20 grama? Digo isso porque 0,14 multiplicado por sete (o número total de cerimônias que você teve no dia), é igual a 0,98 grama. Está faltando 0,22 grama.

- Bom, o restante corresponde a 0,20 grama que todo motorista tem direito por lei. 0,98 grama não conta porque foi a trabalho.

- Bom, tudo bem, faz sentido, eu acho. Mas mesmo assim, ainda está faltando 0,02 grama.

- Mas o senhor tem certeza que era mesmo 1,20 grama quando eu assoprei no bafômetro?

- Tenho certeza absoluta, seu padre!

- Entendo, entendo, confio no senhor. Mas você se importaria em fazer o teste mais um vez, só por desencargo?

- Desencargo?

- De consciência.

- Tudo bem, vamos fazer então.

         O novo teste deu 1,18 grama para espanto do seu Ramos, você está liberado. Esqueceram de dizer a ele que o organismo elimina 0,10 grama de álcool por hora. Logo, 0,02 grama de álcool é eliminado a cada 12 minutos – mais ou  menos o tempo entre o primeiro teste do bafômetro e o segundo. 

O fim dos videogames

Julho 13, 2008

 

A instituição videogame está em ruínas e não há mais nada o que fazer senão providenciar um Nintendo ou um Super Nintendo o quanto antes, os únicos videogames que realmente prestam. O Nintendo 64 tem lá seus méritos, mas a quantidade de jogos sem graça desanima bastante. Não me fale em PlayStation, Sega ou Xbox, uma vez Nintendo, Nintendo até morrer, esse é meu lema, sou fiel à marca e já vou avisando que o Winning Eleven (febre mundial do PlayStation) é um jogo de futebol bem mais ou menos, não é isso tudo que falam não. O que mais me incomoda neste jogo é a potência do chute. Tente reparar na próxima vez que você jogar, até o mais forte de todos parece um peteleco. Tudo bem, confesso que se o jogo fosse da Nintendo, talvez ele recebesse um outro tipo de tratamento, mas isso não vem ao caso agora.

            Os videogames perderam a inocência do passado onde era preciso apenas apertar um botão para atirar, outro para pular e a mão esquerda comandava  um simples direcional tipo quadradinho. Hoje em dia existem centenas de botões (até mesmo atrás do controle), três direcionais diferentes, sendo dois com a mesma função (tipo quadradinho tradicional e mini-joystick) e outro direcional que funciona como câmera. É preciso estudar a fundo mapas, cada um dos personagens com os quais são travados diálogos o tempo todo, ler o manual de instruções com atenção e muitas vezes é preciso até comprar revistas especializadas. Mario Bros, Megaman, Castlevania e Donkey Kong Country são alguns exemplos de jogos que eram incríveis, dinâmicos e fáceis de jogar no Nintendo e no Super Nintendo, mas que se tornaram jogos de xadrez complexos, lentos e chatos a partir do Nintendo 64.

            Nada contra a existência de muitos jogos complicados dessa forma, tem gosto pra tudo, eu mesmo gosto de alguns assim, como o 007 Gloden Eye do Nintendo 64, mas precisam ser todos eles complexos? Não dá para fazer mais alguns como antes, 2D mesmo? Padronização é uma merda.

 

Por que os homens urinam em pé?

Junho 27, 2008

 

Quem nunca passou pela porta de um banheiro e ouviu aquele barulhinho de água de torneira, como se estivesse enchendo um balde? Quem nunca sentiu aquele cheirinho de mijo de Maracanã num restaurante chique ou numa festinha “sôci” na casa de um amigo? Vou mais além, que nunca sentiu esse cheirinho de Maracanã no próprio banheiro? Eu já senti cheirinho de Maracanã no meu próprio banheiro e não foi uma vez só não, foram várias. Desde que comecei a urinar sentado no entanto, há alguns meses, nunca mais senti. Pesquisei na Internet sobre o assunto e descobri que estou longe de ser o único que tem esse hábito um tanto quanto “gay” na opinião da grande maioria dos homens que estão lendo esse texto agora. Encontrei até algumas comunidades no orkut sobre o tema, como “Homem deveria mijar sentado” ou “Homens têm que mijar sentado”. A primeira tem 23 integrantes e a segunda 12. Eu particularmente gostei mais da comunidade “Sou homem e mijo sentado”. Estou inclusive nesse momento aguardando aprovação para ser o sétimo participante. O endereço é http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4532481.

Tentem imaginar o estrago que um homem de mais de um metro e noventa pode fazer num banheiro urinando em pé. Por mais que ele acerte o alvo, não há como os respingos não irem para a borda de cerâmica ou até para fora da privada. Um dos defensores dessa prática higiência e solidária com os outros, sobretudo com as mulheres que muitas vezes encontram os assentos batizados uma vez que muitos homens acham que tem a mira do Robocop, disse que não adianta nada limpar os respingos de urina que vão parar na borda de cerâmica ou no assento com papel higiênico porque mesmo depois de secos, ainda assim exalam o tal cheirinho.

Se não bastasse isso tudo, o que dizer do xixi matinal? É o segundo mais complicado de todos, só perde para o xixi pós-coito. O membro, além de estar aprumado, costuma apresentar a portinha de saída desfigurada ou congestionada fazendo com que a urina se perca em outras direções que não aquela apontada pelo membro, podendo se perder no short, que a esta altura está pelo meio das pernas, na cesta de lixo, nas canelas do sujeito, nos pés ou então nos papéis higiênicos reservas que se encontram num lindo porta papel higiênico feito de renda. É mais ou menos isso que acontece no pós-coito, a grande diferença é que neste, a urina sai de pouquinho em pouquinho, tornando o processo muito mais lento e penoso enquanto que no pós-sono a urina sai de uma vez só, a todo vapor, fazendo com que este não seja o mais complicado, mas sem dúvida o mais chuvoso. Apesar do canal que expele a urina e o esperma ser o mesmo, conhecido como uretra, ambos chegam a esse canal por caminhos diferentes. O nosso organismo não consegue trabalhar com os dois ao mesmo tempo e com isso precisa fechar o caminho de um para que o outro saia. Por isso o xixi sai de pouquinho em pouquinho. Leva um certo tempo para o caminho obstruído ficar totalmente livre.

Quando eu trabalhei no festival de Montreux na Suíça em 2002, me hospedei na casa de uma família onde compartilhava o banheiro com a filha caçula do casal. No terceiro dia veio o primeiro aviso. Sua mãe pediu para eu não esquecer de baixar o assento da privada antes de deixar o aposento sanitário já que a menina, por vergonha, nojo ou incapacidade, não podia ela mesma exercer essa função. Tornei a ser advertido mais algumas vezes até o surgimento de um novo aviso só que dessa vez por escrito colado no espelho com letras garrafais em inglês. Pelo menos hoje eu sei com toda a certeza que nunca mais vou passar por uma situação semelhante.

            Caso você seja uma mulher e esteja indignada com esse texto, uma vez que tudo que você sempre quis na vida foi justamente o que estou criticando, ou seja, urinar em pé, acho que o endereço abaixo vai ser útil:

 

http://ueba.com.br/forum/lofiversion/index.php/t19459.html.

 

 

 

           

 

O que fazer para namorar um músico do NxZero

Junho 16, 2008

Se você é uma menina bonita, tem entre 15 e 30 anos, é fanática por NxZero, mora na mesma cidade que a banda e tem como objetivo primordial na vida namorar o Di, Fi, Caco, Daniel ou o Gee, talvez eu tenha alguns conselhos interessantes para você. Antes de mais nada, saiba que você já começou muito mal. Entendo que você tenha muita vontade de namorar um de seus ídolos, não há nada de anormal nisso, mas não pode ser um objetivo primordial na sua vida.

Se você já deixou recadinhos no myspace, no youtube ou no fotolog deles do tipo “Diiiii você é tudo de bom, te amo muito, você é perfeito”, lamento muito em dizer que você praticamente não tem mais chance. Mas calma, tudo na vida é reversível. Não se desespere ainda. Entenda que o grande problema de recadinhos desse tipo é que os famosos em geral não gostam de namorar tietes, eles gostam de pessoas normais que os enxergam como pessoas normais que escovam o dente, usam meia rasgada e jogam um osso de plástico para o cachorro pegar. Eles não querem mulheres que vão roubar a pasta de dente, a meia rasgada e o osso do cachorro para mostrar para a galera do fã clube oficial do grupo. Então aqui vai a primeira e mais importante lição: Não deixe o seu ídolo saber que você é fanática por ele.

A segunda lição diz respeito ao cuidado que você precisa ter com você mesma. Talvez o mais importante seja você ser simpática, segura de si e bem humorada, mas uma vida profissional sólida (se for dentro do mundo musical, melhor ainda) ou com um início promissor é quase tão importante quanto. Caso você não esteja nem trabalhando nem estudando e ainda não tem a menor idéia do que fazer na vida, invente que está estudando para concurso público, corra para a Internet e decore meia dúzia de conceitos de direito penal, legislativo ou trabalhista para quem sabe citar algum deles já no primeiro encontro. Como concurso público é um processo lento que requer muito tempo de estudo, dá pra enganar o seu ídolo por um ano ou dois até ele descobrir a farsa ou você pode até tomar vergonha na cara nesse meio tempo e estudar para valer, o que seria perfeito. Ainda referente à segunda lição, não se esqueça de poupá-lo ao extremo de suas inseguranças e tristezas – deixe essa ladainha aos cuidados de seu psicólogo ou melhor amigo gay. Procure a todo custo ter ou simular diferenciais. Por exemplo, saber jogar tênis pode ser um diferencial, dançar gafieira seria outro, ler livros de poesia, conhecer filmes menos manjados, jogar Winning Eleven no Playstation (é bem provável que o seu ídolo goste desse jogo), ter uma vasto conhecimento de bandas de rock, etc.

A terceira e última lição diz respeito aos primeiros encontros ou o modo pelo qual você poderia se aproximar do seu ídolo. Procure antes de mais nada descobrir se ele está solteiro. Como você com certeza namoraria qualquer um deles, por favor se concentre em um que esteja livre. Independente de quem você seja, concorrer com a Pity seria muito complicado. Uma vez feito isso, procure saber quem são, onde andam e o que fazem os amigos e amigas dele e quais programas regulares ele por ventura tem, como pelada semanal, faculdade, aula de inglês, judô, etc. Conhecer o seu ídolo no camarim depois de um show só em último caso. Por mais que você se comporte muito bem na sua presença, você poderá ser precocemente classificada como uma tiete devido a presença de milhares delas no mesmo recinto. Então eu recomendo você se aproximar dele a partir dos melhores amigos ou se inserindo de alguma maneira em algum de seus programas regulares, o que pode ser feito sem a ajuda de ninguém. Se ele tem por hábito malhar em uma academia por exemplo, você pode se matricular nessa academia e fazer um trabalho a longo prazo de aproximação como quem não quer nada pedindo ajuda em algum aparelho ou fazer qualquer comentário informal de vez em quando de modo que uma conversa regular entre vocês se torne algo absolutamente normal e corriqueiro. Espero que eu tenha sido útil de alguma maneira e boa sorte!

INFORMAÇÃO IMPORTANTE !!!

Não toco no NxZero, não conheço os caras e não sei onde eles moram. Podem comentar à vontade, mas a banda não terá acesso aos comentários de vocês. Sou apenas um cara normal que tem um blog de humor. Obrigado pela atenção. Paulo Pilha.