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	<title>Blog do Paulo Pilha</title>
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	<description>Textos astutos e bem-humorados sobre o que der na telha</description>
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		<title>Blog do Paulo Pilha</title>
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		<title>O futebol e suas vicissitudes</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 12:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cotrauma]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje de manhã, a pedido do doutor Marcelo, fui fazer uma nova radiografia no meu dedo quebrado. Cheguei às sete e meia, mesmo sabendo que ele  só estaria lá às oito. A quantidade de idosos que frequentam a Cotrauma é impressionante e essa turma adora chegar cedo. Isso sem contar os que chegam antes da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=437&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje de manhã, a pedido do doutor Marcelo, fui fazer uma nova radiografia no meu dedo quebrado. Cheguei às sete e meia, mesmo sabendo que ele  só estaria lá às oito. A quantidade de idosos que frequentam a Cotrauma é impressionante e essa turma adora chegar cedo. Isso sem contar os que chegam antes da abertura do estabelecimento e ficam em pé do lado de fora, impacientes e nervosos. Mas isso é tão absurdo que nem entra nas minhas estatísticas. Vale dizer no entanto que com a extinção da fisioterapia, a quantidade de idosos caiu muito. Fizeram uma grande obra no primeiro andar e a clínica funciona temporariamente onde era a fisioterapia. Agora a radiografia é sobre a mesma maca que eu fazia exercícios de recuperação para o joelho, no ano passado, e para a virilha, esse ano. Todas as lesões, inclusive o dedo quebrado, foram fecundadas no campo de futebol.</p>
<p>Um amigo meu disse ao seu ortopedista que, com exceção do joelho, o corpo humano era perfeito. O profissional foi categórico. &#8220;O corpo humano foi feito para caçar gazelas no bosque. Não foi feito para jogar futebol&#8221;.</p>
<p>Pelo menos eu era o único cliente do ortopedista Marcelo. Para ser mais exato, eu era o único cliente da Cotrauma inteira. Abri um livro, para me ajudar a pegar no sono, usei o casaco de travesseiro e me acomodei perfeitamente com a cabeça apoiada sobre a mão que não estava lesionada. Alguns minutos depois, após acordar sozinho e me ajeitar na cadeira, uma mulher na casa dos quarenta anos, sorriso de recém ganhadora da Mega Sena e máquina 3 no cabelo, diz:</p>
<p>- Você quebrou o dedo, foi?</p>
<p>Se já não bastasse uma pergunta dirigida à minha pessoa naquelas circunstâncias, ainda tinha aquele irritante &#8220;foi&#8221; no fim da pergunta. Tentei sorrir com muita dificuldade. Provavelmente não o fiz.</p>
<p>- Sim. Jogando futebol.</p>
<p>- Posso ver o livro que você está lendo?</p>
<p>Você deve estar pensando que estou inventando tudo isso, mas eu juro que é verdade. A mulher sabia que eu estava dormindo e mesmo assim começou a conversar, como se eu fosse um cara que ela não via há 25 anos, desses que foi melhor amigo no colégio ou qualquer coisa que o valha.</p>
<p>- Pode.</p>
<p>Sabe aquelas pessoas que pegam o livro e passam horas analisando as insignificantes primeiras páginas, em vez de partir para a introdução, orelha ou algum capítulo? Pois era exatamente isso. Talvez eu seja o único chato dessa história, mas uma coisa é certa: não há nada de errado em querer dormir em vez de dialogar com estranhos numa sala de espera.</p>
<p>Então ela pousa os olhos sobre uma pequena dedicatória da minha namorada, que havia me dado o livro de presente.</p>
<p>- Você é casado?</p>
<p>- Não.</p>
<p>- Noivo?</p>
<p>- Não.</p>
<p>- O que você faz da vida?</p>
<p>- Eu sou jogador de futebol.</p>
<p>- É mesmo?</p>
<p>- Sim. No momento estou à procura de um clube. Eu estava jogando no Friburguense, conhece?</p>
<p>- É um time do Rio?</p>
<p>- Sim. Lá de Friburgo.</p>
<p>- Só conheço Vasco, Botafogo, Flamengo e Fluminense. Sou de Porto Alegre.</p>
<p>- Eu já joguei em Porto Alegre.</p>
<p>- Sério?</p>
<p>- Joguei nas divisões de base do Grêmio, mas o técnico era um mala. Cismou comigo e me cortou do elenco. Mas foi melhor assim. Lá eu não tinha família, amigos, comia mal, era frio. Voltei pra cá.</p>
<p>- Entendo.</p>
<p>- Acho que estão me chamando. Tenho que ir. Prazer em te conhecer.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/437/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=437&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Meus 10 filmes favoritos de comédia (década 2000)</title>
		<link>http://paulopilha.wordpress.com/2011/09/21/meus-10-filmes-favoritos-de-comedia-decada-2000/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 20:07:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem-categoria]]></category>
		<category><![CDATA[listas filmes comédia melhores década 2000]]></category>

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		<description><![CDATA[10° posição -&#62; Antes só do que mal casado (2007) 9° -&#62; O Virgem de 40 anos (2005) 8° -&#62; Entrando numa fria (2000) 7° -&#62;  Sim, senhor (2008) 6° -&#62; Rat Race (2001) 5° -&#62; Hitch, Conselheiro amoroso (2005) 4° -&#62; Zohan, O Agente bom de corte (2008) 3° -&#62; As Férias de Mr. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=433&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>10° posição -&gt; Antes só do que mal casado (2007)</strong></p>
<p>9° -&gt; O Virgem de 40 anos (2005)</p>
<p><strong>8° -&gt; Entrando numa fria (2000)</strong></p>
<p>7° -&gt;  Sim, senhor (2008)</p>
<p><strong>6° -&gt; Rat Race (2001)</strong></p>
<p>5° -&gt; Hitch, Conselheiro amoroso (2005)</p>
<p><strong>4° -&gt; Zohan, O Agente bom de corte (2008)</strong></p>
<p>3° -&gt; As Férias de Mr. Bean (2007)</p>
<p><strong>2° -&gt;As Loucuras de Dick e Jane (2005)</strong></p>
<p>1° -&gt; Tudo pode dar certo (2009)</p>
<p>Obs.: É isso mesmo. &#8220;Se beber não case&#8221; é um ótimo filme, mas ficou de fora lista.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/433/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/433/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=433&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma miniodisseia na galeteria</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 20:33:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
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		<category><![CDATA[galeto]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma tarde de sábado, dessas que você acorda tarde e fica amebando em frente à TV até a hora do almoço.  Fui andando até a Cobal do Humaitá. A minha missão era muito simples: devorar um delicioso galeto. Fiz agora uma rápida pesquisa na internet  e vi que o galeto na brasa é uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=428&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era uma tarde de sábado, dessas que você acorda tarde e fica amebando em frente à TV até a hora do almoço.  Fui andando até a Cobal do Humaitá. A minha missão era muito simples: devorar um delicioso galeto.</p>
<p>Fiz agora uma rápida pesquisa na internet  e vi que o galeto na brasa é uma iguaria que só existe no Brasil. A Itália faz algo semelhante, porém com pássaros.</p>
<p>Para acompanhar aquele néctar dos deuses, ou melhor, das granjas, eu tinha Coca-Cola, arroz, farofa e batata frita. O que mais eu podia querer? Chopp? Não, óbvio que não. Junto com a comida é inviável. Você fica imediatamente estufado e empapuçado, que nem o Baiacu do comercial da Skol 360. Um gole de chopp durante uma refeição equivale a 2 litros deste mesmo chopp em condições normais.  Quanto a comer uns petiscos, não tem problema, mas é bom ficar de olho.</p>
<p>Depois da segunda garfada no galeto, posei os talheres, fiquei um tempo bebericando a Coca, bastante pensativo, olhando para o infinito. Tomei mais um pouco de coragem e chamei o garçom:</p>
<p>- Eu sei que pode parecer bobagem, mas este galeto veio desossado. Eu queria o tradicional.</p>
<p>- O senhor não disse que queria o tradicional.</p>
<p>- Mas também não disse que queria o desossado. Se eu pedi um galeto, automaticamente é o tradicional, não acha? É como pedir uma Coca-Cola. Se eu não especificar se é light ou normal, você vai trazer a normal, certo? Aliás, foi o que aconteceu com esta Coca que eu bebo agora. Lamento muito por  esta solicitação, estou me sentindo mal com o desperdício, mas é que pra mim faz muita diferença.</p>
<p>Meio que à contragosto e sem dizer nada, o garçom levou o galeto paraguaio embora e me trouxe um novinho, que foi devidamente devorado em minutos. O arroz, a farofa e a batata já estavam frios, mas fiquei quieto. A cota de exigências e reclamações daquele sábado já havia se esgotado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/428/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/428/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=428&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma odisseia no Detran</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 15:20:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[recordações]]></category>
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		<category><![CDATA[detran]]></category>

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		<description><![CDATA[Os cariocas reclamam muito da Lei Seca, da vistoria anual de seus carros, do mau tempo, de uma semana improdutiva jogada no lixo, mas creio que todos &#8211; lá no fundo de suas almas penadas &#8211; são favoráveis a essas questões. Por mais que sejam desconfortáveis, constituem o chamado mal necessário. É como tomar um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=418&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os cariocas reclamam muito da Lei Seca, da vistoria anual de seus carros, do mau tempo, de uma semana improdutiva jogada no lixo, mas creio que todos &#8211; lá no fundo de suas almas penadas &#8211; são favoráveis a essas questões. Por mais que sejam desconfortáveis, constituem o chamado mal necessário. É como tomar um gol do time adversário, virar a partida para 2 a 1 e levantar a taça. É como fazer uma caminhada de três horas e meia na mata fechada, com bolha no pé, filho de treze anos chorando aos berros pedindo colo, formigas criminosas subindo pela sua meia soquete &#8211; aliás, que ideia de girico caminhar na mata de meia soquete -, teias de aranha grudando no seu braço e a fome te deixando com dor de cabeça, mas depois de tudo isso, deslumbrar uma cachoeira paradisíaca com água cristalina.</p>
<p>Foi com esse sentimento que eu peguei o meu carro às 15 horas de uma quarta-feira e me dirigi (literalmente) até o posto do Largo do Machado. Já no meio do trajeto, recebo uma ligação da moça que trabalha comigo. Foi ela quem passou a relação de todas as multas a serem pagas e marcou a vistoria.</p>
<p>- Paulo, apareceu mais uma multa no sistema. Como ela só vence em setembro, pensei que não precisava pagar antes dessa vistoria. Mas acabei de falar com uma pessoa do Detran. Se você não quitar essa multa agora, será preciso voltar lá num outro dia só para pegar o certificado.</p>
<p>Sorte que eu estava com o papel da multa na minha mochila. Em vez de continuar pela Voluntários da Pátria, deu tempo de dobrar à esquerda visando o Itaú do Humaitá. Uma fila absurda e, pra piorar, o livro que eu estava lendo ficou no carro. Era um infeliz para atender o povão e outro infeliz para atender a velharia. Ao dizer infeliz, estou querendo dizer que os dois funcionários provavelmente estavam tristes porque não haviam outros para dividir o grande volume de trabalho com eles. E não porque são medíocres ou exercem um trabalho indigno. Muito pelo contrário. Lidar com somas de dinheiro às vezes astronômicas diante de pessoas insanas não é para qualquer um. Isso sem contar que digitam no teclado com a mesma velocidade do Cazé Peçanha no extinto programa Teleguiado, da MTV. Para ilustrar o meu pensamento, clique  no link ao lado e veja, mais precisamente aos 00:53 de vídeo: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=uP061WtlPsk">http://www.youtube.com/watch?v=uP061WtlPsk</a>.</p>
<p>Confesso que eu já acreditei que ele digitava de verdade o nome das músicas das pessoas que ligavam (não existia internet naquela época). Há alguns anos o encontrei na Livraria Cultura de São Paulo, compenetrado, passeando por livros de arte importados. Me arrependo de não ter dito que era fã do Teleguiado e que ele era o melhor VJ da história daquela emissora. Talvez não o mais engraçado, vide Adnet, mas sem dúvida o mais culto e inteligente.</p>
<p>Apesar da demora no banco, me atrasei apenas 7 minutos. Fui designado ao vistoriômetro de número 4.  Lanternas, setas fronteiras, traseiras, esquerdas e direitas, abertura de capô, farol baixo, farol alto, limpador de parabrisas, raspadinha de chassi. Tudo certo. Eu havia me preparado para aquele dia como um mecânico que se prepara para entregar o carro de passeio do Ayrton Senna.</p>
<p>- Farol de neblina?</p>
<p>Aquele nome não me era estranho.</p>
<p>- Farol de milha? &#8211; continuou o vistoriador.</p>
<p>Também já tinha ouvido falar em farol de milha. Eu já desconfiava que farol de milha e farol de neblina eram a mesma coisa, mas agora eu tinha certeza.</p>
<p>- Acho que o meu carro não tem farol de milha &#8211; disse timidamente.</p>
<p>- Tem sim.</p>
<p>Comecei a ficar nervoso, mas não transpareci. A julgar pelo modo que ele me respondeu e pelo jeito desleixado que ele esperava a porcaria do farol de milha, provavelmente eu seria reprovado no teste. Apertei tudo que é botão, o limpador traseiro começou a operar no seco, o da frente em todas as velocidades da música do créu, de 1 a 5, também a seco,  liguei pisca alerta e depois desliguei imediatamente pro cara não achar que eu era maluco, dei umas três pressionadas no farol alto, não para ele achar que eu era maluco, mas de propósito mesmo, para descontar a minha raiva. Estava mais perdido que daltônico diante de um pote de jujubas. Perguntei baixinho para um outro vistoriador que estava sentado ali perto numa mesa plástica, dessas de boteco, &#8220;você sabe onde fica o farol de milha desse carro?&#8221;. Ele balançou discretamente a cabeça e fez um beicinho. Não estava a fim de ajudar. Até que uma pessoa aleatória, que certamente ouviu a minha pergunta, se aproximou do meu carro e apertou um botão escondido em cima da saída lateral esquerda do ar condicionado. Mais precisamente, ali, na minha fuça. Ficava entre o retrovisor do motorista ignorante e o volante. Nunca vou me esquecer daquele símbolo estranho, que parece a espinha de um peixe de desenho animado. Na verdade, o cara não chegou a apertar, apenas indicou com o dedo indicador e continuou andando. Provavelmente  era um daqueles anjos de filme de sessão da tarde que salvam o protagonista num momento difícil.</p>
<p>- Beleza. Agora acelera o carro e procure se manter naquela velocidade que aparece na tela do computador.</p>
<p>A espera de quase uma hora para receber o glorioso e cobiçado certificado de registro e licenciamento 2011 tinha tudo para ser uma chatice sem tamanho. As outras pessoas na sala de espera ao ar livre que o digam. Bufavam, gesticulavam e  reclamavam com os funcionários. Não os culpo. Provavelmente agiria da mesma forma se eu não tivesse um ótimo livro para me distrair. O mesmo que eu havia esquecido na fila do banco. Quando fui chamado, tive vontade de dizer &#8220;só um minuto, faltam 2 páginas para acabar o conto&#8221;. Saí de lá pensando em milhas acumuladas para uma viagem de avião, pamonha, milho verde e no jogo Enduro, do Atari, no qual a fase mais difícl era aquela em que o carros apareciam do nada e era quase impossível desviar. Era a fase da neblina.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/418/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/418/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=418&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Como amassar latas de cerveja em escala</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jun 2011 18:53:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Sem-categoria]]></category>
		<category><![CDATA[catador de latinhas transeunte rua do rosário]]></category>

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		<description><![CDATA[A história que eu estou prestes a contar pode ser repetida para alguns ou muitos de vocês. Se for este o caso, não vou ficar chateado com o seu comentário ou pensamento negativo ao meu respeito. Vou entender perfeitamente a sua sensação de tempo perdido, ainda mais com tantas fotos e status de relacionamento que você precisa curtir e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=392&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A história que eu estou prestes a contar pode ser repetida para alguns ou muitos de vocês. Se for este o caso, não vou ficar chateado com o seu comentário ou pensamento negativo ao meu respeito. Vou entender perfeitamente a sua sensação de tempo perdido, ainda mais com tantas fotos e status de relacionamento que você precisa curtir e comentar no Facebook.</p>
<p>Mas caso você nunca tenha ouvido esta história e mesmo assim a considere insignificante, meus pêsames: você tem um futuro negro pela frente. Antes que você me chame de convencido, prepotente e metido, entenda que  não estou me referindo ao texto. O seu futuro, seja este negro ou brilhante, não tem qualquer relação com o fato de você gostar ou desgostar do meu jeito de escrever.</p>
<p>Isso tudo para dizer que eu vi um revolucionário catador de latinhas no centro do Rio. Mais especificamente na Rua do Rosário. Talvez ele não seja o precursor dessa técnica, mas como nunca vi ninguém fazendo um troço desses antes, para mim ele é o guru das latinhas. Vi o homem despejando na calçada uma enorme e suja sacola plástica contendo cerca de 60 latas. A Rua do Rosário, para quem não sabe, é uma estreita rua de paralelepípedos, muito estreita (nem ouse levar a sua Land Rover para passear por lá), muito estreita mesmo, com baixo movimento de carros e fedorenta. O herói da nossa historinha começou a chutar as latas para dentro da rua. Sim, para dentro da rua. De tão alto, o meio fio parecia um muro de uma escola infantil. Veja que ele poderia ter jogado as latas todas de uma vez nas pedras de paralelepípedo. Mas alguns minutos depois fui entender que chamaria muita atenção dos carros e dos transeuntes, então  foi bicando discretamente em doses homeopáticas. Se ele estivesse muito próximo à cena do crime, os motoristas poderiam forçá-lo a retirar os seus pertences do meio da rua, mas como não tinha ninguém por perto, era melhor passar de uma vez do que ficar se queixando com o vento.</p>
<p>Chutou umas vinte latas e se fingiu de transeunte, como se aquelas latas não tivessem nada a ver com a vida dele. Passou o primeiro carro, logo depois veio o segundo. Ele tinha conseguido amassar grande parte das latas. Era este o seu método, que também consistia em arrumar as latas que já estavam na rua, de modo que estivessem na trilha das rodas, e não no intocável e improdutivo miolo. Experimente andar em cima de um monte de plástico bolha. O efeito produzido pelos veículos era o mesmo. Sim, o nosso amigo é um gênio.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/392/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/392/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=392&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma odisseia na prova de auto escola</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2011 15:16:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[recordações]]></category>
		<category><![CDATA[Sem-categoria]]></category>
		<category><![CDATA[retrovisor auto escola]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrei no carro. Bati a porta. Endireitei os retrovisores com a mesma destreza que eu ajeitava os pedestais de prato da bateria na época em que me apresentava ao vivo frequentemente. Já vi gravado em fita e tudo. Isso mesmo, fita cassete. Faz muito tempo. Termina a música, eu me levanto, mexo 2 milímetros na [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=388&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrei no carro. Bati a porta. Endireitei os retrovisores com a mesma destreza que eu ajeitava os pedestais de prato da bateria na época em que me apresentava ao vivo frequentemente. Já vi gravado em fita e tudo. Isso mesmo, fita cassete. Faz muito tempo. Termina a música, eu me levanto, mexo 2 milímetros na altura do prato de ataque Zildjian e me sento novamente no banquinho. Dou uma nova olhada, mas não gosto da posição do prato, que parecia perfeita quando eu estava em pé fazendo os ajustes.  Me levanto novamente e mexo, dessa vez, 1 milímetro e meio. Vale dizer que uma banda inteira composta por dois guitarristas, uma vocalista, uma percussionista e um baixista espera pacientemente pelos meus caprichos bizarros. Felizmente estes ajustes cirúrgicos se perderam completamente com o passar dos anos. O mesmo vale para os retrovisores.</p>
<p>Liberei o freio de mão. Liguei o carro. Engatei a ré. Percorri um percurso aproximado de 0, 0003 quilômetros.</p>
<p>- Para! Para!</p>
<p>(agora o verbo &#8220;parar&#8221; no presente da terceira pessoa do singular não leva mais acento)</p>
<p>Olhei indignado para o aplicador da prova.</p>
<p>- O que houve?</p>
<p>- Você esqueceu de botar o cinto. Perdeu 3 pontos.</p>
<p>- Isso quer dizer que&#8230;</p>
<p>- Isso mesmo. Você não pode perder mais nenhum ponto.</p>
<p>Eu ainda tinha que entrar na porcaria da vaga, sair com o carro da mesma vaga e dar uma volta no percurso oval com a presença de motoristas comuns, quer dizer, já gabaritados pelo Detran. E sem cometer mais nenhuma falta. O carro chacoalhava feito uma máquina de lavar. O meu pé direito parecia meio dormente por causa do nervosismo. Não sei bem o que houve. Só sei que lá pelas tantas, ainda tentando manobrar na vaga, a máquina de lavar pifou. Alguém tirou da tomada ou a luz do prédio acabou. Vá saber.</p>
<p>Olhei para o aplicador da prova com a mesma cara do Gato de Botas do Shrek.</p>
<p>- Liga logo esse carro, antes que algum colega perceba.</p>
<p>Tecnicamente eu tinha 5 pontos.</p>
<p>- Muito obrig&#8230;</p>
<p>- Se concentra aí garoto. Mais meio ponto e eu te reprovo. Não fala nada. E dá um jeito nesse carro. Balança mais que uma charrete guiada por um asno (na verdade ele não disse exatamente isso, mas achei que tornaria o texto mais interessante).</p>
<p>Não cometi mais nenhuma falta. Fui aprovado com (duvidoso) louvor. Demorei cerca de um ano para aprender a dirigir, ou melhor, deixar de ser uma ameaça constante para motoqueiros, caminhoneiros, motoristas de ônibus, pedestres e quem mais estivesse no meu caminho. Aproveito a oportunidade para agradecer a paciência de todos os amigos que estiveram comigo nesta difícil jornada iniciante, seja no banco carona ou no banco traseiro. Não sei o que era pior. Ver o perigo de camarote pelo banco da frente ou ficar no banco de trás e ver o perigo com menos exatidão. Pedidos inusitados como este eram comuns: &#8220;vê aí pra mim se eu posso mudar de faixa&#8221;. Este pedido assustava ainda mais os meus amigos. Eu dizia que era impossível olhar para o retrovisor e para a frente ao mesmo tempo. Quando os amigos se reuniam em 3 motoristas para 15 moleques irem ao cinema ou coisa parecida, era comum alguém dizer a um colega desavisado, &#8220;se você está à procura de adrenalina e fortes emoções, vai com o Pilha&#8221;.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/388/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/388/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=388&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma odisseia no laboratório</title>
		<link>http://paulopilha.wordpress.com/2011/03/18/uma-odisseia-no-laboratorio/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 00:16:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem-categoria]]></category>
		<category><![CDATA[laboratório odisseia leblon aposentado]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei doze horas em jejum para fazer um exame completo de sangue. E não era só isso. Tinha também o tal do exame de urina. O meu plano era Bradesco, e o outro, chegar ao laboratório Sérgio Franco às 9h30. Acordei antes das seis, com muita vontade de urinar, e matei a vontade &#8211; ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=378&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei doze horas em jejum para fazer um exame completo de sangue. E não era só isso. Tinha também o tal do exame de urina. O meu plano era Bradesco, e o outro, chegar ao laboratório Sérgio Franco às 9h30. Acordei antes das seis, com muita vontade de urinar, e matei a vontade &#8211; ou pelo menos uma parte dela &#8211; no potinho amostral de urina comprado na noite anterior.</p>
<p>Logo que eu cheguei ao laboratório, vi uma daquelas cenas lamentáveis, porém muito comuns em laboratórios de diagnóstico: cliente exasperado humilhando funcionário. No caso em questão, era um homem bem vestido, na casa dos sessenta e oito anos, óculos escuros pendurados na altura do peito segurados por uma cordinha, e um olhar blasé, típico dos aposentados que tiveram um cargo importante numa grande empresa e hoje passam a tarde vendo TV e importunando a empregada.</p>
<p>- Infelizmente deu erro em um dos exames e o senhor terá que tirar sangue novamente.</p>
<p>- Você só pode estar de brincadeira.</p>
<p>- Me desculpe, senhor.</p>
<p>- Chama logo a porcaria do seu superior. Isso aqui é um laboratório sério ou é um açougue? Você sabe quanto custa um exame desses, minha filha?</p>
<p>- O senhor tem plano, senhor.</p>
<p>- Escuta aqui, minha filha. Não me chame mais de senhor, está bem? Cadê o seu supervisor? Olha aqui, eu não vou refazer exame nenhum. Vocês vão ter que consertar essa merda.</p>
<p>Felizmente não ouvi o restante da “conversa”. Entreguei o potinho de urina e o pedido médico, preenchi um questionário enfadonho e, alguns minutos depois, fui chamado para o exame. Uma moça muito simpática e falante me recebeu acompanhada de um rapaz tímido e jovem, que lembrava um pouco aquele adolescente do seriado Anita, que era tarado por ela.</p>
<p>- Eu vi que você trouxe também um exame de urina. Que horas você urinou? &#8211; ela disse.</p>
<p>- Umas cinco e pouco da manhã.</p>
<p>- Colocou na geladeira?</p>
<p>- Não.</p>
<p>- Então você vai ter que refazer o exame de urina. Me desculpe.</p>
<p>Me lembrei do velho dos óculos pendurados.</p>
<p>- Não sabia que a urina tinha que ir pra geladeira.</p>
<p>- A urina só pode ficar fora da geladeira por duas horas.</p>
<p>- Tudo bem, não tem problema. Eu faço de novo.</p>
<p>- Você já desmaiou alguma vez?</p>
<p>- Já fiz muitos exames de sangue, mas só desmaiei uma vez. Eu estava muito febril e fraco nesse dia. Então, diria que as chances de acontecer de novo são remotas.</p>
<p>- Bom, de qualquer jeito, tem café, chocolate e salgadinhos, logo aqui, no fim do corredor.</p>
<p>- Maravilha.</p>
<p>- Qual braço você prefere?</p>
<p>- Sei lá, tanto faz &#8211; eu disse. &#8211; Mas pode ser o esquerdo.</p>
<p>Foi aí que o rapazinho se aproximou de mim timidamente e apertou o braço escolhido com uma borracha para pular a veia. Ele estava nitidamente nervoso e até o momento não tinha dito uma palavra sequer. Isso não era bom. Mas eu pensei “trata-se de um exame simples, muito simples, vai dar tudo certo”.</p>
<p>Vi o primeiro jorro de sangue adentrar o frasco de plástico da seringa. Não vi o segundo jorro, nem o terceiro, nem o quarto.</p>
<p>A moça falante, experiente e simpática se aproximou, deu um chega pra lá no moleque e assumiu a parada.</p>
<p>- Perdemos a conexão com a veia. Mas tá tranquilo. Não se preocupe. Vamos fazer no outro braço. Essas coisas acontecem.</p>
<p>Puta que pariu, eu pensei. Estagiário filho da puta.</p>
<p>Se não me engano eram quatro frascos de sangue no total. A moça tirava o meu sangue com a destreza de um cirurgião gelado da Suíça, mas lá pelo terceiro frasco eu comecei a ver umas imagens turvas que se multiplicavam como Gremlins nas cataratas do Iguaçu. Fiquei calado esperando o momento certo. Eu só ia dizer alguma coisa quando a agulha fosse retirada. Se eu dissesse que estava passando mal, ela poderia interromper a retirada de sangue e eu ia ter que fazer tudo de novo, que nem o velho dos óculos pendurados.</p>
<p>- Acho que eu vou desmaiar.</p>
<p>- Vagner, pega um café e um salgado pra ele. Rápido.</p>
<p>- Respira fundo. Fica tranquilo. Se você desmaiar não tem problema. Eu tô aqui pra te ajudar.</p>
<p>- Qual salgado eu trago?</p>
<p>Eu adoraria não ter que escrever a fala acima, mas infelizmente ela condiz com a verdade.</p>
<p>- Anda rápido! Qualquer coisa!</p>
<p>Suava frio feito um porco. Lutava bravamente para não desmaiar. A moça segurava a minha cabeça e continuava a dizer palavras de conforto. Segundo ela, eu desmaiei por cerca de dois segundos. Me lembro de ter “acordado” com um copo plástico de café pressionando o meu lábio inferior. Depois chegou até a minha boca um salgadinho bem vagabundo, daqueles que você encontra na Aviação Cometa, classe econômica, sem ar condicionado. Percebi então que já era possível mexer as mãos e segurei o copo de café. O estagiário estava encostado na porta, mais nervoso e tímido que antes enquanto a moça estava radiante com a minha recuperação. Me colocaram numa cadeira de rodas (me senti o Cazuza em Boston), me deram mais café e salgadinhos no meio do caminho e me puseram, por fim, numa espécie de espreguiçadeira. Foi um susto muito grande, mas valeu muito a pena. A sensação pós-semi-desmaio é indescritível. Se bobear eu tive um mini-nirvana budista e nem sei.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/378/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/378/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=378&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Uma Odisseia em Seattle com o Bad Religion</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 18:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As pessoas se empurravam como se fossem feitas de borracha. Outras navegavam por cima da multidão como se estivessem num caiaque, navegando em mar agitado. Eu ficava na defensiva, imóvel, tentando manter os pés fincados no chão. Todo o cuidado era pouco para não entrar num redemoinho e ser lançado para longe. *** Era o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=367&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As pessoas se empurravam como se fossem feitas de borracha. Outras navegavam por cima da multidão como se estivessem num caiaque, navegando em mar agitado. Eu ficava na defensiva, imóvel, tentando manter os pés fincados no chão. Todo o cuidado era pouco para não entrar num redemoinho e ser lançado para longe.</p>
<p>***</p>
<p>Era o meu último dia em Vancouver. Depois de jantar com um casal de amigos, fui sozinho a um bar irlandês que tinha conhecido rapidamente na noite anterior. Não estava com paciência para tomar cerveja e sorvi três maravilhosos Captain´n Coke, que me deixaram um tanto quanto trôpego no caminho de volta ao albergue. Tinha que acordar muito cedo no dia seguinte para pegar um ônibus para Seattle, o último destino da viagem. Mas quase chegando ao meu dormitório, eu avistei um cyber café ao lado de uma pizzaria e achei que valia a pena comer uma fatia de pizza e checar o e-mail. Na verdade, só valia a pena mesmo a fatia de pizza. Checar o e-mail às três da madrugada, sendo que eu tinha que fazer a mala e estar na rodoviária às nove, era uma ideia estúpida e irresponsável. Eu ia acabar olhando facebook, globoesporte.com, enfim, gastar um tempo precioso que eu não tinha e se não bastasse isso, não teria condições de responder os e-mails porque estava muito bêbado para isso. Então, além de não responder nenhum e-mail pendente, eu entrei também na The Bad Religion Page, o maior site dedicado ao grupo de punk rock Bad Religion na internet.</p>
<p>Antes de embarcar para San Francisco, a primeira cidade que eu visitei na viagem (clique aqui e leia o texto que eu fiz dedicado a San Francisco), eu criei um novo tópico no fórum desse site no qual eu dizia que estaria no show deles em Seattle, no dia 17 de novembro. Como as pessoas não me conheciam pessoalmente, não obstante os meus covers acústicos de Bad Religion que eu posto no YouTube desde 2007, eu disse que estaria usando a camisa de futebol da Croácia, que é muito chamativa com as suas cores branca e vermelha no modo xadrez. Por mais que eles lembrassem do meu rosto dos vídeos, eu seria só mais um na multidão, quase impossível de ser localizado à distância.</p>
<p>Uma hora antes de eu entrar naquele cyber café, um americano do Texas postou no tal fórum criado por mim que o Greg Graffin, vocalista da banda, iria autografar o seu último livro num outro local, um pouco antes do show. Aquela minha ida ao cyber café, antes uma irresponsabilidade sem tamanho acabou se tornando algo heróico. No dia seguinte eu dificilmente entraria na internet e ficaria sem saber da sessão de autógrafos. Eu iria chegar em Seattle na parte da tarde e ficaria passeando até a hora do show, marcado para as 20 horas.</p>
<p>Todos os passageiros do ônibus tiveram que descer na divisa com os Estados Unidos. Fiquei intrigado com um enorme aviso numa parede enquanto aguardava a minha vez. “We do not accept canadian money here”. O que me espantou não foi o fato deles não aceitarem o dinheiro canadense, isso era óbvio, mas eu não imaginava que eles iriam chamar de “canadian money”. O nome da moeda é “Canadian dollar”. Eu posso estar errado, mas achei um certo descaso chamar de “dinheiro canadense”, como se isso fosse algo inferior. “Não aceitamos essa merda aqui”. Foi o que soou pra mim ao ler o aviso.</p>
<p>Sabendo que só teria algumas horas daquela quarta e o dia todo de quinta para conhecer a cidade, me hospedei num hotel no coração de Seattle.</p>
<p>A sessão de autógrafos estava marcada para às 18 horas e acabou que deu tempo de passear um pouco a pé pelas redondezas. Eu pensava que o Greg Graffin estaria numa micro bancada esperando meia dúzia de fãs, o que me levou a chegar meia hora atrasado. O nome do lugar era Town Hall. Não parecia nem um pouco com uma livraria. Tinha um cara na porta que me disse que a entrada custava cinco dólares. Sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo, paguei a quantia solicitada e entrei. Deviam ter umas duzentas pessoas. Todas elas sentadas, em silêncio, ouvindo atentamente o vocalista do Bad Religion. Ao lado dele, também de microfone em punho, estava o co-autor do livro, que fazia o papel de entrevistador. Praticamente todos os assentos estavam tomados, sobretudo aqueles mais próximos ao palco. Mas como eu estava sozinho e as pessoas sempre deixam um ou outro espaço vazio entre elas (adquiri essa experiência de tanto ir ao cinema desacompanhado), procurei um assento vago nas três primeiras filas e, como de costume, encontrei. Perguntei a uma linda menina se o lugar ao lado dela estava vago. Me olhou com cara de poucos amigos, mas fez que sim. Ela estava séria, compenetrada e fazia anotações num caderno. Provavelmente era fã do Greg Graffin professor de biologia na UCLA e não fã do Greg Graffin vocalista de uma banda de punk rock. Seja lá o que for, nunca vou saber se ela realmente conhecia as músicas aceleradas, curtas e melódicas escritas por aquele homem semi-careca.</p>
<p>Graffin andava de um lado para o outro enquanto falava sobre religião, fé, sociedade, sua vida pessoal e questões biológicas mais técnicas, aliás, super técnicas. Ele basicamente fez um apanhado geral do livro que eu tinha acabado de ler na viagem de ônibus para Seattle.</p>
<p>Depois de mais uma resposta eloqüente do vocalista do Bad Religion, o entrevistador e co-autor comunica que a palestra está chegando ao fim, mas antes, eles iam abrir para algumas perguntas da platéia. A produção do evento tinha posicionado dois microfones, um de cada lado do palco. Quem quisesse fazer perguntas ao Greg, deveria ir até um dos pedestais e mandar ver.</p>
<p>Quando eu soube dessa palestra, quer dizer, eu pensava que era apenas uma sessão de autógrafos comum, daquelas que a pessoa dá o livro para o autor assinar, troca meia dúzia de palavras com ele, bebe um vinho de quinta categoria e vai embora. Enfim, quando eu fiquei sabendo desse evento pelo fórum que eu havia criado na “The Bad Religion Page”, eu cogitei pela primeira vez perguntar ao Greg se eu poderia cantar uma música com a banda no palco. Por mais insano que aquilo pudesse parecer. Desanimei um pouco quando vi aquela multidão, mas continuava com o mesmo plano na cabeça. É claro que eu não iria perguntar naquele auditório lotado, na frente de todo mundo. Isso estava fora de questão.</p>
<p>As perguntas da platéia iam se sucedendo e de repente uma voz interior muito poderosa começou a falar comigo e a me fazer uma série de perguntas, ameaças e ofensas morais.</p>
<p>- Você quer mesmo cantar com a banda? Sim ou não?</p>
<p>- Sim – eu respondi.</p>
<p>- Então não deixe para perguntar quando o Greg estiver assinando o seu livro. Ele provavelmente vai dizer não. Você tem que perguntar agora, nesse segundo, na frente de todo mundo.</p>
<p>- Você tá louco, não vou fazer isso – retruquei, com desdém.</p>
<p>- Bom, o recado está dado.</p>
<p>Uma fila de duas pessoas se formou atrás de cada um dos microfones. A sessão de perguntas da plateia transcorria sem grandes emoções até uma menina perguntar alguma coisa sobre a educação dos filhos dele. A resposta veio num tom ríspido e seco. “Bom, acho que da educação dos meus filhos cuido eu”. A menina ficou visivelmente sentida e ele tratou logo de consertar a frase infeliz, se desculpando e amaciando as suas palavras. O professor punk ateu ainda aproveitou para dizer que não tem mesmo muito talento ao dialogar com as pessoas. Disse que volta e meia acaba dizendo alguma coisa ríspida contra a sua vontade.</p>
<p>- Está bem, você venceu – eu disse, para a minha voz interior.</p>
<p>Levantei da cadeira e fui até o final de uma dass filas. Na minha frente, uma única pessoa.</p>
<p>- Sábia decisão, meu caro. Agora presta atenção numa parada. A escolha da música é crucial. Você precisa pedir uma música curta, que você saiba 500% a letra, que esteja já num tom apropriado para a sua voz e não pode ser muito famosa. Os fãs normalmente preferem escutar os grandes clássicos cantados pelo próprio vocalista da banda.  Não pode ser também uma música que eles nunca tocam ao vivo, pois eles precisaram de ensaio antes do show e isso está fora de questão. Tem que ser uma música freqüente no set list da banda.</p>
<p>- O que você está me dizendo faz todo sentido. Mas não é melhor eu primeiro perguntar se posso cantar com eles? Se ele disser que sim, depois eu decido com a banda qual música eu canto.</p>
<p>- Você está de sacanagem, né? Você acha mesmo que o Greg Graffin vai dizer “está bem, meu filho, qual música você quer cantar?”. Aí você gagueja e responde “vou pensar até a hora do show”. Não, porra. O discurso tem que ser curto, na lata, direto. Não é pra ficar de lenga-lenga. Você precisa ser firme.</p>
<p>Então eu me lembrei do dia 13 de março de 1999. Uma amiga descobriu o hotel que a banda iria se hospedar no Rio e me chamou para ir com ela. Eu recusei num primeiro momento porque achava ridículo essa história de encontrar banda em hotel. Aquilo era coisa de menininha fútil de treze anos e eu já estava quase me formando no colégio. Porém, por mais bizarro e infantil que fosse, era a chance que eu tinha de conseguir um autógrafo de todos os integrantes, fazer um quadro e colocar na parede do meu quarto.</p>
<p>Ficamos esperando algum tempo no saguão do hotel ao lado de cinco ou seis outros fãs e eu não tinha planejado nada de interessante para dizer a eles. Então, quando adentraram o saguão do hotel, fiquei praticamente mudo enquanto o meu encarte do disco solo do vocalista era assinado por todos. Aliás, uma grande mancada minha. O encarte tinha que ser de um dos discos da banda. O meu nervosismo / timidez / falta de planejamento conversativo só foi superado no momento em que eu perguntei ao baixista Jay Bentley e ao vocalista Greg Graffin se era possível eles tocarem a música “Anesthesia” naquela noite. Eu tinha ido ver a banda quatro dias antes em São Paulo e esta canção, de 1990, não estava no repertório. Para o meu espanto, a música foi tocada no show do Rio, mesmo sem fazer parte do set list dos outros shows da turnê do Brasil, conforme eu pude constatar via internet alguns dias depois. Eles tocaram duas vezes em São Paulo, depois foram para Santos, Curitiba e, por fim, Rio.</p>
<p>Anesthesia não é uma música tão famosa quanto American Jesus, Infected, Sorrow, e 21st Century Digital Boy, tem curta duração, o tom é apropriado para a minha voz e eu sabia 500% a letra. Logo, atendia a todos os pré-requisitos estabelecidos pela minha voz interior, que aprovou a canção com louvor segundos antes do meu pequeno discurso:</p>
<p>- I came all the way from Brazil to see you guys up here. I have more than 50 Bad Religion acoustic covers in YouTube, including a duo with Emily Davies.</p>
<p>- Eu a conheço. Qual é a música que vocês fizeram? – ele disse.</p>
<p>- Strange Denial, está no Youtube. Is it possible to sing the song Anesthesia on stage with you guys tonight?</p>
<p>Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, só deu tempo dele fazer uma cara de espanto, a plateia riu e inundou o auditório com palmas efusivas. O mais curioso desse episódio é que durante a longa conversa que eu tive com a minha voz interior, nenhuma das partes cogitou que a platéia jogaria ao meu(nosso) favor. E eu acho que foi justamente esta incrível solidariedade internacional que me salvou.</p>
<p>- Se você for ao show com essa camisa e eu conseguir te ver lá na frente, está tudo bem, você pode cantar.</p>
<p>Voltei ao meu lugar. A menina ao meu lado continuava com a cara fechada, agora fazendo par com o seu caderno de anotações.</p>
<p>Fim da sessão de perguntas. Enquanto os fãs formavam uma fila para o Greg autografar, eu fui correndo até o hotel para deixar o meu livro no quarto e pedir um táxi. Eu já tinha comprado o meu ingresso do Brasil pela internet um mês antes, mas nunca se sabe. Se eu já sou normalmente ansioso, tente imaginar como eu estava naquele momento. Levei todo o dinheiro vivo que eu tinha reservado para os últimos dois dias da viagem. Eu não economizaria dinheiro num cambista se alguma coisa desse errado.</p>
<p>Felizmente não foi preciso conversar com nenhum cambista. Apresentei o meu passaporte, eles localizaram o meu nome, recebi o ingresso e entrei. Antes do Bad Religion, duas bandas locais de punk rock iriam tocar cerca de meia hora cada uma. Fui até o bar e pedi uma dose de whisky. Algumas pessoas que estavam na palestra me reconheceram e desejaram sorte na minha empreitada. Fiquei zanzando pelo lugar para matar o tempo até que eu encontrei o tal cara que postou no fórum sobre a sessão de autógrafos do vocalista. Eu disse que se não fosse ele, eu nunca teria sequer a chance de subir naquele palco. Ficamos conversando no bar enquanto a primeira e a segunda banda faziam shows mornos, sem nada de especial. A sua namorada, que quase não abriu a boca e desconhecia Bad Religion por completo, não estava dando conta dos chopps que ele trazia e eu acabei tomando por ela. Duas doses de whisky e três copos caprichados de cerveja depois e eu estava completamente sóbrio. Acho que diante do meu estado de excitação e nervosismo, nem se eu virasse uma garrafa inteira de rum eu ficaria bêbado. Eu poderia ser internado no hospital com parada cardíaca, mas ficaria sóbrio até o momento do piripaque.</p>
<p>- Assim que acabar o segundo show, a gente vai lá pra frente do palco. Eu te ajudo a chegar lá.</p>
<p>- Mas e a sua namorada?</p>
<p>- Não se preocupe, ela vai junto.</p>
<p>- Tem certeza?</p>
<p>- Cara, a gente tem uma missão aqui. Você tem que subir naquele palco.</p>
<p>Com muita dificuldade, a gente chegou perto do palco. Mas ainda tinha muita gente na nossa frente. Era definitivamente impossível seguir em frente.</p>
<p>- Quando começar a primeira música, a gente dá um chega pra lá nessas pessoas e vai pra primeira fila.</p>
<p>- Será? Acho que vai ser meio complicado – eu disse.</p>
<p>O meu novo amigo americano não deixava ninguém passar. Pedia gentilmente para os aventureiros darem a volta pelo outro lado. Alguns insistiam, ele engrossava o tom e eles desistiam. Este roteiro se repetia enquanto as pessoas começavam a empurrar umas às outras com mais força, formando ondas humanas. Pouco antes do início do show eu disse que ele não precisava se preocupar em me levar para a beirinha do palco. Eu tinha uma ideia que supostamente resolveria o problema e felizmente funcionou. Logo na primeira música do show, “Do what you want”, eu tirei a camisa da Croácia (estava com uma camisa branca por baixo, logo, não fiquei sem camisa) e a agitei na direção do vocalista. Ele apontou pra mim e riu. A missão estava cumprida. Eu havia feito a minha parte com a grande ajuda do americano, que achou melhor ir para longe do palco com medo da sua namorada ser pisoteada pela multidão.</p>
<p>Assim que acabou a décima sexta música do show, Ten in 2010, do disco The Gray Race, Graffin começou o discurso que eu esperava ansiosamente.</p>
<p>- A banda não sabe disso ainda, mas aconteceu uma coisa hoje na palestra sobre o meu livro. Um garoto brasileiro me perguntou se poderia cantar uma música e eu disse que sim. Apesar de eu ser um cara que cumpre promessas, eu preciso saber da opinião de vocês. E então, quem acha que o brasileiro deve cantar levanta a mão.</p>
<p>Olhei pra trás e vi um mar de pessoas com os braços levantados. A vontade de urinar que me perseguia de uma maneira indescritível desde o início do show de repente desapareceu. Eu nunca segurei tanto o xixi como naquele dia.</p>
<p>- Quem não quer que o brasileiro cante?</p>
<p>Poucas pessoas levantaram a mão.</p>
<p>- Ok, you win! Come on up!</p>
<p>“Esse cara sou eu, me ajudem a sair daqui”, eu dizia sem parar, esprimido lá na frente. As pessoas acreditaram em mim e um garoto fez o famoso “pezinho” para eu escalar a grade de contenção. Uma vez no mata-burro, espaço entre o público e o palco, perguntei ao segurança “como proceder?”, ele apontou para o lado esquerdo do palco. Subi sem dificuldade. O que aconteceu no palco pode ser visto no vídeo abaixo.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://paulopilha.wordpress.com/2011/02/17/uma-odisseia-em-seattle-com-o-bad-religion/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ZaKoB8yWEVw/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Saí do palco arrasado. Tudo bem que eu estava nervoso, que era a realização de um sonho, que a platéia era enorme, mas ainda assim, eu não podia ter esquecido um pedaço da letra. Os fãs vieram falar comigo em estado de êxtase, muitos pediram para tirar fotos e ganhei até cerveja de graça no bar. Mas nada disso aliviava a minha frustração. Quase não dormi esse dia por causa dessa maldita letra. Levei uma semana para me desculpar pelo erro e finalmente curtir aquele momento único que vou levar para o resto da vida.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/367/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=367&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Meus 10 tweets preferidos</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Jan 2011 19:01:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[top 10 tweets twitter melhores frases]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que eu entrei para o twitter, em meados de 2009, eu lamentava a facilidade pela qual uma bela frase era esquecida no histórico de informações do microblog, que mais parece um buraco negro. Quem tem twitter e posta com uma certa frequência sabe a dificuldade que é para ler uma frase postada três meses [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=362&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que eu entrei para o twitter, em meados de 2009, eu lamentava a facilidade pela qual uma bela frase era esquecida no histórico de informações do microblog, que mais parece um buraco negro. Quem tem twitter e posta com uma certa frequência sabe a dificuldade que é para ler uma frase postada três meses antes. Só em março de 2009 que eu me dei conta de que a solução para o meu problema sempre existiu. Os programados do twitter já tinham pensado nisso e criaram uma ferramenta chamada &#8220;Favoritos&#8221;. O usuário então pode marcar com uma estrelinha os seus tweets favoritos. De lá pra cá, eu marquei ao todo 34. É uma pena que muitos outros, num total absurdo de 4586, estejam perdidos no tempo.</p>
<p>Dos 34 tweets que foram salvos, segue abaixo os meus 10 preferidos, em ordem decrescente:</p>
<p><strong>Décimo lugar:</strong> Ronaldinho Gaúcho é que nem plano de saúde. É melhor ter do que não ter.</p>
<p><strong>Nono Lugar</strong>: Quem faz aniversário deveria ouvir &#8220;meus pêsames, a velhice é uma merda&#8221; em vez de &#8220;meus parabéns&#8221;.</p>
<p><strong>Oitavo Lugar:</strong>Essa música cairia como uma luva na página inicial do site do Vigilantes  do Peso:&#8221;o que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber&#8221;.</p>
<p><strong>Sétimo Lugar: </strong>Da série &#8220;metas para 2011&#8243;: Superar a média anual de idas à praia que está na casa de 3,5 / ano.</p>
<p><strong>Sexto Lugar:</strong> Você já reparou que &#8220;Fred&#8221; é o único nome do mundo que forma um quadrado perfeito no teclado do computador?</p>
<p><strong>Quinto Lugar: </strong>Puta merda em inglês é &#8220;holy shit&#8221;. Em latim é &#8220;putis merdus&#8221;.</p>
<p><strong>Quarto Lugar: </strong>Acredite. No Leblon tem mais Golden Retriever do que gente.</p>
<p><strong>Terceiro Lugar:</strong> Ainda bem que não traduziram o nome do filme TRANSFORMERS. Você assistiria o filme Transformistas?</p>
<p><strong>Segundo Lugar:</strong> De nada adianta ter talento, se você tá lento.</p>
<p><strong>Primeiro Lugar:</strong> Os mágicos são muito bons na arte de fazer os objetos sumirem. Só perdem para as empregadas domésticas.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paulopilha.wordpress.com/362/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paulopilha.wordpress.com/362/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=362&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ler ou não ler, eis a questão</title>
		<link>http://paulopilha.wordpress.com/2010/09/17/ler-ou-nao-ler-eis-a-questao/</link>
		<comments>http://paulopilha.wordpress.com/2010/09/17/ler-ou-nao-ler-eis-a-questao/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 17 Sep 2010 22:44:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulopilha</dc:creator>
				<category><![CDATA[auto-ajuda]]></category>
		<category><![CDATA[dicas]]></category>
		<category><![CDATA[leitura o que fazer para ler todo dia paulo pilha banco táxi hábito comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Se existe uma coisa nessa vida que eu odeio e amo ao mesmo tempo, essa coisa se chama “leitura”. Podemos também chamar essa coisa de “o ato de aprender o conteúdo de um texto escrito”, que no meu caso consiste em ler, no mínimo, vinte páginas todos os dias. Leiturus amadus: - Me sinto mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paulopilha.wordpress.com&amp;blog=2187654&amp;post=352&amp;subd=paulopilha&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se existe uma coisa nessa vida que eu odeio e amo ao mesmo tempo, essa coisa se chama “leitura”. Podemos também chamar essa coisa de “o ato de aprender o conteúdo de um texto escrito”, que no meu caso consiste em ler, no mínimo, vinte páginas todos os dias.</p>
<p>Leiturus amadus:</p>
<p>- Me sinto mais inteligente quando termino um livro, por mais que muitas vezes na realidade eu não fique</p>
<p>- Gosto da sensação do livro terminado</p>
<p>- Me dá forças para continuar escrevendo o meu próprio livro</p>
<p>- Mantém a minha mente inquieta ocupada</p>
<p>- É uma espécie de terapia</p>
<p>- Aumenta a auto-estima</p>
<p>Leiturus odius:</p>
<p>- Toma muito o meu tempo</p>
<p>- Me deixa aflito</p>
<p>- Me torna mais anti-social</p>
<p>- Pouquíssima gente lê</p>
<p>- Meus amigos não leem</p>
<p>- Não dá dinheiro</p>
<p>- Não passa de uma masturbação mental desnecessária (!?)</p>
<p>- Quanto mais eu leio, menos eu gosto do meu livro</p>
<p>- Ler é coisa de gente velha, que não teve vida digital quando era jovem.</p>
<p>- Ao invés de ler, eu poderia estar assistindo um bom filme dirigido pelo Tim Burton ou pelo Woody Allen</p>
<p>- Ao invés de ler, eu poderia estar jogando Super Mario Bros no Nintendo Wii, por mais que eu não tenha ainda este precioso aparelho eletrônico.</p>
<p>Ao contrário do que os filósofos pensam, pensar demais não é bom. Pensar demais gera dúvidas e dúvidas geram baixa produtividade. Pensando melhor, pensar demais gera conclusões idiotas e discricionárias, como esta.</p>
<p>Confesso que, pelo menos na atual conjuntura, ler vinte páginas por dia é um trabalho um tanto quanto árduo para mim. Tem gente que devora tranquilamente um livro por dia, outros corrigem cinco monografias num fim de semana. Acho que cada um tem o seu ritmo. O meu ainda está longe do ideal, mas os progressos têm sido satisfatórios. Veja que eu não estou considerando jornal, revista ou textos da internet. A minha meta diária é com livro mesmo, desses de carne e osso. Se eu ler cinco textos enormes de um famoso blogueiro e não abrir o “livro da vez”, o número de páginas lidas que eu colocarei na minha planilha do Excel será zero. Livros de poesia, mesmo os de carne e osso, também não entram na contagem. Os livros em 60% dos casos são romances e em 40% dos casos são biografias. É claro que esses dados são inventados, não fiz cálculos meticulosos, mas é bem capaz que seja isso mesmo.</p>
<p>Segue abaixo o número de páginas lidas nos últimos sete dias, de acordo com a planilha que eu cultivo há cerca de dois meses.</p>
<p>ano	mês	dia	 	pgs lidas	leitura</p>
<p>2008	set	10	sexta	20	ok</p>
<p>2009	set	11	sábado	6	não</p>
<p>2010	set	12	domingo	10	não</p>
<p>2010	set	13	segunda	20	ok</p>
<p>2010	set	14	terça	20	ok</p>
<p>2010	set	15	quarta	5	não</p>
<p>2010	set	16	quinta	13	não</p>
<p>Das 140 páginas que eu deveria ter lido no período, eu li 94. Temos aí um aproveitamento de 67%. Bastante razoável. Porém, a meta só foi cumprida três vezes, nos dias 10, 13 e 14.</p>
<p>Como não é possível (nem cabível) abrir um livro durante o horário de trabalho, e fora do expediente eu posso estar ocupado com várias outras coisas como escrever, tomar banho, jogar futebol, jantar, escovar os dentes e tocar violão, desenvolvi novos e peculiares hábitos de leitura que têm me ajudado muito a (quase) cumprir as minhas metas diárias.</p>
<p>1 – Banheiro</p>
<p>O banheiro é provavelmente o melhor recinto do mundo para ler. Você está sentado numa posição extremamente confortável, não há possibilidade de você cair no sono como acontece ao ler deitado na cama, a iluminação costuma ser excelente e não há nada nem ninguém para tirar a sua atenção do livro. Confesso que muitas vezes eu vou ao banheiro sem nenhuma necessidade fisiológica só para ler.</p>
<p>2 – Ler dirigindo</p>
<p>Trata-se do mais recente método que eu venho utilizando no meu dia-a-dia. Descobri que sinais vermelhos e congestionamentos são ótimas oportunidades para abrir o livro sobre o volante e devorar umas três ou quatro páginas num trajeto relativamente curto como Leblon-Copacabana. Eu coloco o CD do carro no pause quando paro no sinal vermelho e mando bala. Às vezes estou tão absorto na leitura que só arranco com o carro depois de ouvir uma ou duas buzinadas do carro atrás. Confesso que uma vez eu quase bati. O sinal abriu e eu estava no meio de uma frase interessante. Continuei lendo com o carro em movimento, pendendo pra esquerda,  e quase raspo num outro carro na rua Jardim Botânico vindo na direção oposta. Não façam isso em casa! Quero dizer, não façam isso no trânsito. Leiam apenas em congestionamentos cavernosos, ou então, no sinal fechado com o freio de mão puxado, para não ter risco do carro se mover lentamente sem você notar. Confesso também que algumas vezes eu já peguei caminhos mais longos para ler mais páginas dirigindo.</p>
<p>3  – Táxi</p>
<p>Ler no táxi também é muito bom. Eu ainda escapo, certas vezes, de conversas insuportáveis. Vale lembrar no entanto que muitos taxistas são divertidos e vale a pena trocar uma ideia com eles. Quando eu me dou conta de que o cara é chato, eu abro o livro, ele percebe que eu estou lendo e para de falar. Quando o cara é bacana, eu deixo o livro fechado.</p>
<p>4 – Outros lugares</p>
<p>Além do táxi, do “ler dirigindo” e do banheiro, existem obviamente dezenas de outras opções para otimizar o tempo no que concerne a leitura, que eu pretendo descobrir em breve. Ir ao banco pagar uma simples conta é, muitas vezes, uma grande oportunidade para ler duas ou três páginas, dependendo obviamente do tamanho da fila do caixa. Dentistas e consultórios em geral, nem se fala. Além do que, aquelas revistas de fofoca amarfanhadas de três anos atrás não chegam a ser uma concorrência muito tentadora para eu não ler o meu livro.</p>
<p>Outros lugares como cinemas, restaurantes e estádios de futebol também podem ser uma boa saída rumo ao cumprimento da meta diária. Dependendo do tamanho do livro, vale à pena colocá-lo no bolso, a caminho do Maracanã, para ler naquela espera enfadonha antes da bola rolar. Mas é claro que a busca por lugares alternativos tem limite. Se você me encontrar numa boate com um livro debaixo do braço ou no bolso da calça, pode me internar num hospício.</p>
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