Como ser rapidamente atendido pelo seu banco

Fevereiro 20, 2009 por paulopilha

Repita todos os passos apresentados no artigo da semana passada (“O que fazer para ganhar muito dinheiro sem esforço”) e altere da seguinte forma o seu discurso, uma vez em contato com um profissional de telemarketing do banco:

- Boa tarde! Com quem eu falo por gentileza?

- Boa tarde, meu nome é Pilha, Paulo Pilha.

- Senhor Paulo, gostaria de informar que a nossa conversa está sendo gravada e poderá ser utilizada pelo banco.

- Sem problemas, eu também estou gravando a nossa conversa e também poderei utilizá-la, caso necessário.

- Só um momento, senhor Paulo.

- Pois não – ela provavelmente vai procurar o seu supervisor que imediatamente passará um rádio para todos os departamentos do banco: “Não desliguem na cara desse sujeito!!!”.

- Senhor Paulo, obrigado por aguardar, você poderia me passar o número do seu cartão?
Obs.: Esta técnica também é válida para outras empresas que prestam serviços.

O que fazer para ganhar muito dinheiro sem esforço

Fevereiro 13, 2009 por paulopilha

A primeira medida a ser tomada é comprar um gravador, de preferência digital.

O segundo passo é examinar o seu extrato bancário do último mês e entender todas as taxas que são cobradas anualmente – consulte o seu gerente, vá até a agência. Talvez você encontre alguma cobrança indevida ou desnecessária, como a tarifa anual de um cartão de crédito reserva que você nunca usa.

Em caso afirmativo, coloque o seu telefone no viva voz, ligue para a central de atendimento do seu banco e deixe o gravador com o REC ligado, ao lado do aparelho criado por Graham Bell(1847-1922).Como você pretende cancelar um “benefício” do banco, a ligação provavelmente vai “cair” quando você for transferido para o departamento de cancelamento de tarifas. Isso significa que você marcou um ponto, mas ainda não é o bastante. Ligue novamente – não toque no gravador! – e diga em voz alta em direção ao gravador que “a ligação por algum motivo caiu, vou tentar pela segunda vez”.

se você conseguir cancelar a tarifa já na segunda tentativa, significa que o plano não deu muito certo. Somente a partir da terceira ligação é que você deve procurar um advogado para entrar com uma ação contra o banco. No mínimo você vai faturar uma grana preta. Como já dizia um amigo meu advogado, com relação a este tema, “o dinheiro tá no chão, é só pegar”.

Caso você não encontre nada bacana no seu extrato bancário, experimente recorrer às contas de gás, luz ou ao extrato da sua TV por assinatura.

Se você ainda não achou um pretexto para botar o seu gravador digital em uso, não se preocupe.

O que eu tenho pra te oferecer agora é o segredo dos segredos (agora finalmente revelado!), a galinha dos ovos de ouro, a sinceridade do Pinóquio, o coringa dos coringas, a carta de todas as mangas.

Aperte o REC, coloque o telefone no viva voz e diga o seguinte:

- Boa tarde! Gostaria de cancelar a minha conta de celular.

A gafe do Mc Donald´s

Fevereiro 7, 2009 por paulopilha

Depois do grande erro da L´Oréal Paris, publicado semana passada aqui no blog, agora é a vez do Mc Donald´s deixar a sua marca. O maior restaurante fast-food do mundo está veiculando no Rio de Janeiro um novo anúncio na TV no qual o sorvete vem acompanhado de “bolachas”.

Eles esqueceram que os cariocas falam “biscoito” e nunca “bolacha”, como os paulistas.

O grande erro da L´Oréal Paris

Janeiro 30, 2009 por paulopilha

Desde que eu me entendo por gente a L´Oréal Paris faz pouco caso do Brasil em termos publicitários. Tratam a gente, quer dizer, as mulheres, como idiotas. Até quando vão continuar exibindo na TV anúncios dublados? Ninguém aguenta mais ver a Penélope Cruz ou a Sandra Bullock como se fossem o “Fucker and Sucker” do Casseta e Planeta. Não creio que seja muito caro colocar a Grazi Massafera – que foi contratada recentemente para ser a garota propaganda deles, só que de mídia impressa – também na TV.

Eu não sei quem é o responsável pela publicidade da L´Oréal por aqui, mas aposto cerca de duzentos reais que seja um francês, daqueles bem cabeça-dura e arrogante -”ah, arruma o dublador mais barato que tiver, só de ver uma celebridade gringa na TV, a consumidora brasileira vai gostar”.

Sorte que eles têm um produto excepcional, porque se fossem depender da qualidade e da criatividade dos seus anúncios na TV, a coisa estaria bem feia pro lado deles.

Obs.: Hoje (4 de fevereiro) eu descobri que a MTV é o único canal brasileiro que exibe um anúncio da L´Oréal feito por Vjs da emissora, ou seja, não é dublado.  Isso é um bom caminho, mas e quanto à Globo, SBT, Bandeirantes e muitos outros?

Distúrbio

Janeiro 16, 2009 por paulopilha

Outro dia eu ouvi pela primeira vez no rádio a música “Disturbia”, interpretada pela cantora Rihanna. Não só achei a música sensacional, como me deu vontade de fazer uma versão voz e violão e postar no YouTube. Estava realmente feliz e empolgado com a idéia até me lembrar que eu já tinha postado cerca de 40 covers – também voz e violão – do Bad Religion e a grande maioria das pessoas que tinham se inscrito na minha conta do YouTube eram fãs dessa e de outras bandas de punk rock como NOFX, Green Day, Ramones e Pennywise. Esses pensamentos me levaram a uma série de perguntas: Qual será a reação dessas pessoas? Elas vão deixar de gostar dos covers do Bad Religion apenas por eu ter postado um vídeo da cantora e dançarina pop Rihanna? Esse cover afetaria a credibilidade do meu trabalho autoral?

Queria aproveitar para dizer que eu escutei o disco da Rihanna que contém “Disturbia” e eu não gostei de mais nada.

Bom, pelo menos eu tentei.

Por que as mulheres gostam tanto de se casar?

Dezembro 27, 2008 por paulopilha

Basta dar uma olhada nos presentes que as crianças recebem. Enquanto os meninos recebem carros de corrida, bola de futebol e videogame, o quê as meninas recebem? Ora, elas recebem bebezinhos para amamentar, bonecas para vestir de tudo que é tipo de roupinha possível, casinhas para montar e decorar os cômodos e ainda a Barbie e o Bob que fatalmente vão se apaixonar.

Obs.: Este é o post do dia 2 de janeiro. Resolvi antecipá-lo pois não terei acesso à internet ou então se eu tiver, não vou querer acessar. Feliz ano novo a todos!! E lembrem-se, digam feliz ano novo, não digam “boas entradas”, que é muito feio.

Foi aí que o Titanic bateu?

Dezembro 26, 2008 por paulopilha

“Vários produtos Samsung foram congelados, ao vivo, em um Shopping Center e você deve acertar quando esse cubo de gelo tamanho família vai derreter por completo”.

Esta é a descrição da sensacional campanha promocional “Concurso Cultural Samsung – Natal Tá Quente, Tá Frio”. É uma pena no entanto que algumas “dicas quentes para as perguntas que você já deve estar fazendo” na seção “Esquentando o cérebro”, no hotsite da promoção, sejam tão ruins. Meus comentários estão em negrito.

- Qual o tamanho do cubo de gelo?
O cubo tem 4X4X3 metros, o que dá 42.400 litros de água. Isso mostra que nada mudou desde a sua infância: quem é bom em física e matemática tem mais chance de ganhar presente do bom velhinho.

Até parece que os meus amigos que tiravam 10 em física e matemática terão mais chances do que eu. Seguindo esse raciocínio, basta eu pagar umas quinhentas pratas pra um nerd com Phd em física e abocanhar os prêmios.

- Ele veio do Pólo Norte?
Sim. O gelo foi fabricado especialmente para o concurso. Sua origem é desconhecida, mas você pode ver o cubo de perto lá no Shopping Morumbi – SP.

Como ele pode ter vindo do Pólo Norte e a sua origem ser desconhecida? Juro que não entendi.

- Com quantos desse eu faço uma caipirinha?
E por acaso a gente tem cara de barman? Deixe para fazer um brinde quando você colocar todos os prêmios Samsung dentro do seu lar-doce-lar.

Gostaria de saber o nome da pessoa que elaborou esta pergunta, assim como o nome do ser que autorizou esta coisa ridícula – “com quantos desse eu faço uma caipirinha?”. Na moral, quem quer saber isso? Além do que, pra fazer uma (1) caipirinha é preciso 0,0000000000000000000000001% desse gelo, ou menos. Então a pergunta mais apropriada, neste caso idiota, seria: “quantas caipirinhas eu faço com esse gelo?”

Não, eu não acho que eles têm cara de barman porque eu nunca faria uma pergunta dessas. Além do mais, barman é pago para fazer drinks e não cálculos.

“Dentro do seu lar-doce-lar?”, – que intimidade é essa? Eu, hein!?

- Foi aí que o Titanic bateu?
Não, não e não. Pelo jeito, você anda perdendo aqueles documentários da TV. Mas não se preocupe: quem sabe não é agora que a felicidade bate na sua porta, hein? Vai lá e manda os cálculos.
Titanic? O que é isso? Eu pensava que a equipe responsável por essas perguntas era alcoólotra, por causa das caipirinhas, mas pelo visto eles tomam ácido.

O que eles querem dizer com “aqueles documentários da TV”?

Estou participando dessa promoção com milhares de pessoas, só uma vai ganhar e eles ainda pedem para eu não me preocupar? É claro que eu estou preocupado!

Observação 1: Me inspirei totalmente no site Antipropaganda para fazer este texto. Procurem no google este site, vale a pena.
Observação 2: O gelo da promoção já derreteu por completo e eu não ganhei.

 

Como eu me fodi no Claro Cine

Dezembro 20, 2008 por paulopilha

Trata-se do maior evento de cinema a céu aberto do país com um telão de 282 metros, o equivalente a um prédio de quatro andares. Se não bastasse isso, ainda é montado todos anos, entre novembro e dezembro, no charmoso Jockey Club da Gávea com direito a shows de bandas como Moptop e Casuarina no fim da última sessão e competentes serviços de gastronomia, com destaque para o Koni Store, o melhor restaurante ou fast-food do planeta. Eles fazem um temaki muito superior ao da concorrência. Outras lojas genéricas de cone como as da PUC, a do Baixo Gávea, ou aquela colada à Pizzaria Guanabara, não chegam aos pés da Koni Store. Os cones de restaurantes japoneses convencionais que servem rodízio e tudo mais são ainda piores. Longa vida ao Koni Store!

Diante da magnitude daquele evento, já na sua segunda ou terceira edição no Rio, achei que eu devia ir pelo menos uma vez, só para conhecer. O dia escolhido foi um sábado, 7 de dezembro, penúltimo dia do evento. A primeira sessão era Kung Fu Panda e a segunda eu não lembro mais. Só sabia que iria ver uma ou outra.

Fui ao Jockey na parte da tarde apenas com o intuito de comprar o ingresso. Larguei o carro no pisca alerta e vi um adesivo com a palavra “esgotado” colado sobre o dia 7 de dezembro num enorme calendário colado numa parede. Fiquei frustrado. Comentei com um segurança à paisana a notícia e ele deu de ombros. Fiquei andando em círculos até me deparar com uma moça que usava uma camisa do Claro Cine.

- Então quer dizer que hoje já tá tudo esgotado?

- Não. Kung Fu Panda ainda tem. Só não tem a última sessão.

Olhei novamente para o calendário, para o adesivo, para a moça, para o segurança à paisana, para o dia 7 de dezembro, para o nome Kung Fu Panda e novamente para o adesivo.

- Não estou entendendo. Não está escrito esgotado na placa?

- Sim, mas o esgotado está colado ao lado da segunda sessão, se as duas sessões estivessem esgotadas o adesivo estaria atravessado, como aquele ali, do dia 22 de novembro.

- Agora eu entendi, mas saiba que eu quase fui embora. Tinha certeza que estava esgotado.

- Então por que você perguntou a mim?

- Não sei. Estava frustrado e quis dividir com alguém a minha frustração, só isso.

Fui então para a fila. Só tinha um caixa e cada pessoa levava uns três minutos pra comprar de modo que esperei uns quinze minutos, mesmo com apenas cinco pessoas na minha frente. Quando enfim chegou a minha vez, olhei para trás e vi um fila gigantesca e olhei pra dentro da cabine e vi um monte de funcionários coçando o saco.

- Oi, tudo bem? Acho que vocês deviam abrir mais caixas. A fila aqui fora tá muito grande.

Uma mulher com cara de gerente saiu da cabine, olhou a fila, e imediatamente abriu dois novos caixas.

Fui pra casa, criei um novo documento do Word chamado “Como eu me fodi no Claro Cine”, inspirado no artigo de Adolar Gangorra, “Como eu me fodi no show dos Los Hermanos”, sem saber que o Claro Cine ainda iria pregar mais peças comigo naquele dia. Tomei um banho, dormi um pouco e voltei ao Jockey.

Dizia no “quadro-calendário” da parede que antes do filme o espectador poderia conferir umas maquetes e ainda tinha um vale pipoca. Como cheguei faltando uns vinte minutos para começar a sessão, fui direto ver as tais maquetes. Tinha imaginado uma maquete do Rio de Janeiro futurista ou uma maquete de Nova York, não sei porque pensei em Nova York, só sei que não era nada disso. Um bando de crianças de sete anos, meus futuros vizinhos no filme a seguir, faziam umas coisas esdrúxulas com massinha, papel, isopor, pequenos objetos em geral, enfim, que lixo. Só para ter certeza, perguntei ao instrutor da criançada que me confirmou mais uma desilusão.

Mas tava tudo certo – agora eu iria pegar a minha pipoca e comprar um refrigerante. Só que a pipoca que eles davam de graça era muito menor que a de 1 real do pipoqueiro da esquina e não era possível comprá-la, ou seja, eu teria que me contentar com aquela coisinha ridícula, logo eu, que sempre trabalho com uma pipoca mega! Peguei a minha pipoquinha, coloquei no bolso e fui em busca do meu refrigerante de 1 litro ou 700 ml. O maior refrigerante que eu encontrei no entanto foi uma lata no Koni Store de 350 ml. Resultado: antes de subir o telão eu já tinha acabado com a pipoquinha e com a Coca-Cola. Não sei ver filme no cinema com as mãos abanando, sou uma pessoa muito inquieta. Quando então me preparava para ir novamente ao Koni Store comprar uma ou duas cocas e uns dois cones para comer durante o filme, ouço uma voz no alto-falante alertando a todos que a partir daquele momento os lugares reservados não valiam mais, ou seja, você chega cedo, paga por um lugar melhor, mas pode perdê-lo pouco antes do início do filme. Como estava sozinho, corria riscos, então acabei ficando, ainda mais porque várias mamães com seus filhinhos estavam situadas em lugares estratégicos, como se fossem gaviões, planejando dar o golpe do lugar marcado. Sim, eu poderia ter pedido para alguém guardar o meu lugar, mas estava muito irritado para isso.

O filme atrasou cerca de 45 minutos, isso mesmo, 45 minutos. Como pode? O telão pelo menos era realmente incrível e o filme era muito bom, um dos melhores desenhos dos últimos tempos – Kung Fu Panda.

O dia em que conheci Nilmar, jogador do Inter

Dezembro 12, 2008 por paulopilha

- Tenho aqui um convite para a cerimônia do Prêmio da CBF e outro para a festa, que acontece no MAM, logo após a entrega de prêmios. Você quer ir? – disse uma amiga minha no MSN.

- Sensacional! Que horas é? – eu disse.

- A entrega de prêmios é às 21 horas. A festa é logo em seguida, tipo 23 horas.

- Tenho um ensaio com a minha banda das 22 às 24 horas. Se eu fosse, chegaria só para a festa. Se bem que o meu carro vai estar cheio de tralha de ensaio (pratos, pedaleira, guitarra), então até chegar ao MAM depois de deixar tudo em casa, seria lá por volta de uma, uma e meia da manhã. E ainda teria que botar terno, né?

- Não tem como marcar o ensaio para outro dia?

- Pior que não tem. É o único dia e horário que os cinco integrantes podem.

- É…Talvez fique meio tarde mesmo, porque cai numa segunda-feira. Faz o seguinte, vou estar com o seu convite da festa, qualquer coisa me liga.

- É mesmo? Poxa, muito obrigado.

O ensaio não podia ter sido melhor. Fui pra casa muito animado e disposto a ir à festa, por mais que eu tivesse que acordar muito cedo no dia seguinte.

- Oi Fulana, tudo bem? Acabei de chegar em casa. Rola de ir pra festa?

- Com certeza Pilha! A festa está começando agora só, pode vir!

Como não podia ser diferente, abusei da caipirinha de tangerina – estava realmente estupenda. Conhecia poucas pessoas, mas conhecia muita gente de vista, a julgar pelo Washington, do Fluminense, Juan, do Flamengo, Caio Ribeiro, comentarista, Tcheco, do Grêmio, e tantos outros que no final das contas consomem um tempo assaz considerável da minha rotina de vida. Os empregados da festa, sobretudo os garçons, estavam em êxtase. Alguns até tiraram foto com os seus ídolos, o que não deve ter deixado o chefe deles muito contente.

Lá pelas tantas, encontro uma amiga que não via há pelo menos um ano. Conversa vai, conversa vem.

- Estou indo pra Pizzaria Guanabara agora. Quer ir?

- Pode ser – eu disse

- Tá indo também o Nilmar e um amigo dele.

- Tipo, o Nilmar Nilmar, o jogador?

- Esse mesmo.

- Entendi, vamos lá!

- Você tá de carro?

- Estou sim.

- Pode dar uma carona pra gente?

- É lógico.

Pouco tempo depois…

- Foi mal aí galera. Esqueci de tirar esses instrumentos do carro, tô achando que só vai caber eu e mais um.

Nilmar fez uma cara de “como assim? Que instrumentos são esses?” e foram os três pegar um táxi, me deixando sozinho no carro ao som de Little Joy, no volume 29.

Sentamos os quatro em uma mesa na varanda. Nilmar pegou o cardápio e disse que queria pedir uma pizza. Estava em dúvida em que tamanho pedir.

- Cara, faz o seguinte. Acho melhor você pedir fatia ao invés de média ou grande.

Ele seguiu o meu conselho e pediu uma fatia de Marguerita e uma Coca-Cola para acompanhar. Eu, o amigo dele e a minha amiga, pedimos um chopp.

- Esse cara é uma figura – disse o Nilmar, quando o amigo foi ao banheiro -, ficou tirando onda com o meu prêmio lá na festa, como se fosse dele.

- Ué, mas ele não é seu amigo? – eu disse.

- Não! Conheci hoje!

Realmente o cara era uma figura. Só ele praticamente falava na mesa, era o centro das atenções. Nilmar falava pouco, mas estava sempre rindo e se divertindo, sobretudo com os comentários deste ser, que eram ilustrados uma vez por minuto pelo impagável provérbio “você acha que eu fui pra escola pra comer merenda?”

Pelas declarações do Gustavo (nome fictício) cheguei à conclusão de que ele era um legítimo bicão de festa, visando sempre estar próximo das celebridades. Entre as suas histórias mais estapafúrdias, disse que tinha ficado com a Giovana Antonelli no Sushi Leblon e que chegou a jogar no Vasco da Gama, onde foi banco do Felipe, ex-Flamengo e ex-Vasco.

Disse a mim mesmo que ia ficar quieto, mas não resisti:

- Na boa cara, eu trocaria todos os atacantes do Flamengo por você. Com certeza a gente teria sido campeão brasileiro com você em campo.

- O Kleber Leite até me deu uma camisa do Flamengo escrito Nilmar, achei muito legal.

Ele disse que a sua família era do Paraná e que todos torcem para o São Paulo.

- Ué, então você é são paulino?

- Eu parei de torcer para o São Paulo quando cheguei no Inter, com 15 anos.

Não consigo me lembrar de mais nada que foi dito durante aquele encontro inesperado, mas sai com uma impressão muito boa do Nilmar. É um cara simples, bem-humorado, enfim, está longe de ser metido e arrogante, como muita gente famosa é.

Como ser enganado pelo MySpace

Dezembro 5, 2008 por paulopilha

Outro dia eu entrei no MySpace de um grupo de rock que eu não conhecia, por indicação de um amigo, e me deparei com um estilo musical que não tinha muito a ver com o que ele me descreveu. Era um rock muito pesado que ao meu ver também não fazia jus à aparência dos integrantes, tampouco ao layout do site, mas também podia ser uma impressão equivocada da minha parte. Esperei então pela segunda canção, que era ainda mais pesada que a primeira. Agora o vocalista dava uns berros, o que me fez ter certeza que o som que eu ouvia não era da banda indicada pelo meu amigo, pois ele não suporta vocalistas que gritam.

Enquanto pensava no que poderia estar acontecendo, passei o olho em alguns comentários deixados na página. De repente me deparo com uma foto bizarra de quatro homens vestidos de preto, com a mensagem “Thanks for adding us” e um playlist em movimento que tocava exatamente as músicas que eu ouvia, pois quando apertei “pause” só ouvi o barulho do ar condicionado trabalhando. Se eu não estivesse atento, eu teria sido enganado por aquela banda, ou melhor, pelo MySpace – que permite que um absurdo desses aconteça.

A segunda e última falha do MySpace que eu vou discutir agora, é muito mais grave que a primeira. Este incrível site de relacionamento musical permite que uma mesma música toque duas vezes, no mesmo espaço de tempo, de modo que a “dupla canção” não fica muito diferente da original. Soa como se fosse gravada com efeitos em todos os instrumentos e o som é bem mais encorpado. Na maioria dos casos a segunda reprodução da música entra 1 segundo depois da primeira, dando esse tom robusto, mas que não chega a deformar a versão original. O ouvinte desavisado e desatento pode classificar erroneamente um artista baseado neste grave e inadmissível erro do MySpace. Ele pode espalhar para os amigos que o som da banda é muito embolado sem ter ouvido a versão original.

Felizmente é muito fácil saber se você está ouvindo uma “dupla canção” no MySpace. Se ao clicar em “pause” a música continuar, significa que você ouvia uma “dupla canção”, mas se você ouvir apenas o barulho do ar condicionado trabalhando, pode meter o pau à vontade no artista, pois esta era a canção original.