Acelerar? Pra Quê? – Disco “Accelerate” (2008), R.E.M.

 

Depois de dois excelentes discos de estúdio bem calmos, Reveal (2001) e Around The Sun (2004), a banda norte-americana R.E.M. está de volta com o barulhento Accelerate. A música que abre o disco parece uma mistura de Rolling Stones com Bob Dylan, não obstante a clara presença do estilo próprio que o grupo desenvolveu ao longo de seus mais de vinte anos de carreira. A segunda faixa, “Man-Sized Breath”, soa bem mais R.E.M. que a primeira e segue a mesma pegada rock esquecida nos dois últimos discos. Destaque para as viradinhas de bateria no refrão e do backing vocal que além de muito bem feito, fica sobrando sozinho no fim da música por alguns segundos, como se o engenheiro de som tivesse esquecido de fechar este canal na mixagem, até a entrada da melhor canção disparada do álbum: “Supernatural Superserious”. É aquele tipo de música que merece ser deixada no repeat por pelo menos uma meia hora e que dá vontade de imprimir a letra na internet para cantar junto no carro indo para o trabalho às sete da manhã com o volume no máximo, deixando os graves distorcidos e as caixas de som prestes a estourar.

A faixa 4, “Hollow Man” tem uma introdução serena bem no estilo das músicas do álbum Reveal (2001) que, aliás, é o meu preferido. Talvez seja por isso que eu não gostei muito do refrão, que parte para um rock acelerado, fazendo novamente jus ao nome do novo disco.

As únicas realmente baladas são “Houston”, faixa 5, e “Until The Day Is Done”, faixa 7. “Until The Day Is Done” tem mais brilho, é mais melódica e dá vontade de colocar no repeat por cinco ou dez minutos e o volume no 6 (supondo que o máximo seja 10) , enquanto “Houston” é mais experimental, menos pop, mas também é uma boa canção.

As demais faixas do disco (6, 8, 9, 10 e 11) não tem melodia, são sujas, esquisitas, sem sal, barulhentas e como não poderiam deixar de ser, bastante aceleradas. São músicas que somente os cegos devotos da banda irão amar de primeira. Se você não é uma dessas pessoas, se prepare para ouvir pelo menos dez vezes cada uma para quem sabe talvez, achar bom.

Apesar de ser um disco de rock, que em geral preza pelo destaque do bumbo e da caixa, na maioria das canções é o contratempo que está em evidência. O novo baterista mesmo sendo pouco técnico, faz um belo trabalho e eu particularmente gostei da mixagem suja da bateria e do contratempo em evidência. O timbre da guitarra também é sujo, o que para os padrões atuais de gravação pode até ser considerado que foi gravado sem cuidado, de qualquer jeito. Porém, acho que a intenção do grupo nesse disco, depois de dois álbuns cheios de timbres variados e bem trabalhados, foi justamente fazer um disco cru, sem firulas, rock n´roll e ponto. Respeito a proposta do grupo, mas fico com os dois últimos.

 

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