5 segundos que valem o disco inteiro – Never Die Young (1988), James Taylor

 

“Never Die Young” é o meu mais novo amigo no myspace. O bom e velho James Taylor, além do seu próprio myspace, criou também outros myspace para alguns de seus álbuns, como é o caso de “Gorilla”, “New Moon Shine” e “October Road”. A faixa que dá nome ao disco é a razão pela qual estou escrevendo sobre este álbum de 1988 especificamente e não sobre outros álbuns como “October Road” e “Hour Glass” que de um modo geral são até melhores que este.

A letra de “Never Die Young” segundo o próprio James Taylor, seu criador, não tem muito nexo. Numa gravação ao vivo na Itália que encontrei no youtube que vale muito a pena assistir inclusive, – http://br.youtube.com/watch?v=Flgr_ld8V18 – ele diz que até hoje continua sem saber o significado da canção. Talvez a grande maioria de suas estrofes não tenha mesmo um significado digamos, palpável, mas eu não diria o mesmo da última:

 

Oh, yes other hearts were broken
Yeah, other dreams ran dry
But our golden ones sail on, sail on,
To another land beneath another sky”

 

            A tradução para o português ficaria mais ou menos assim:

 

“Oh, sim outros corações se partiram

Sim, outros sonhos secaram

Mas os nossos sonhos de ouro navegam, navegam

Para uma nova terra abaixo de um novo céu”

           

            Por mais que eu não acredite na vida após a morte, eu ainda assim me emociono com essa estrofe pois ela representa o sentimento de quase todos as pessoas do mundo. Me coloco na pele de um pai de família que pega pesado no trabalho e mal tem tempo para respirar. Um belo dia a sua mulher pede divórcio e leva os dois filhos para ir morar com ela numa cidade distante (“oh, sim outros corações se partiram”) e se lembra que teve que abdicar da carreira de historiador, sua grande paixão, quando o seu primeiro filho nasceu (“sim, outros sonhos secaram”) para arranjar um emprego ordinário que ao menos garantisse o leite da criança. Fico imaginando também que é justamente a crença num mundo melhor e mais justo (“sonhos de ouro”) que o mantém feliz e motivado aqui na Terra, mesmo depois de ter perdido a sua família.

Essa pequena história mostra que acreditar no paraíso está longe de ser um problema como pensam muitos ateístas e até mesmo a minha banda preferida, o Bad Religion. Como o próprio nome sugere, eles estão constantemente questionando em suas canções esta fé no paraíso ou em qualquer outra coisa que não seja material, como se o sagrado ou o processo da crença fosse algo absolutamente infrutífero para a humanidade. Entendo que para a vida de seus integrantes assim como para a minha, essas crenças são de fato inúteis, infundadas, mas não podemos deixar de considerar que sem elas, a grande maioria das pessoas estaria arruinada, sem qualquer tipo de esperança nessa Terra canina, ou melhor, nesse mundo cão.

            Eu havia dito no primeiro parágrafo que a música “Never Die Young” é a razão pela qual estou escrevendo este artigo. Na verdade, eu diria que um pequeno trecho melódico de cinco segundos no fim da canção é ainda mais forte que a própria, sendo assim, a verdadeira razão pela qual resolvi escrever este texto. O trecho vai de 3:25 a 3:30 e é justamente um dos versos da estrofe paradisíaca, ou melhor, um pedaço do último verso para ser mais exato: “beneath another skyyyyyyyyyyyyyyy ai”. A propósito, toda a melodia da introdução da música tocada na guitarra não fica muito atrás. Outro trecho melódico do disco muito interessante vai de 1:07 a 1:30 na música “Runaway Boy”, a segunda melhor do disco.

            Ouvidos não habituados ao som do James podem achar o disco um pouco chato e repetitivo. Se este é o seu caso, vá até a última canção, “First Of May”, e escute somente o trecho que vai de 1:40 a 2:00. Trata-se de uma linda e instigante levada de violão com uma percussão que ganha ainda mais cor e pressão com a chegada da guitarra e da bateria uns dez segundos depois. Tenho certeza que esta linda passagem de “First Of May” o deixará com mais apetite para escutar com atenção este histórico disco.

 

 

 

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