Perna de Carneiro

         Após três meses parado, devido a uma contusão no pé direito, voltei a jogar futebol anteontem. O meu preparo físico, que nunca foi muito bom, não obstante o meu apelido, estava abaixo da crítica neste sábado. Sai de campo esgotado, com dois pensamentos na cabeça: “fôlego de minhoca” e “preciso correr já”.

         Não conversei mais sobre isso comigo mesmo até hoje, quando resolvi que iria correr três vezes por semana – segundas, quartas e sextas.

Uma vez na ciclovia da praia do Leblon, andei um pouco e corri “General Urquiza – Posto 10 – General Urquiza”. Tudo bem, não é muita coisa, mas foi um bom começo. Na volta pra casa, entrei na minha locadora:

         – Boa noite, tem algum filme do Michael Moore que não seja Fahrenheit, Sicko ou Tiros em Columbine?

         – Não, senhor.

         Dei uma olhada na seção “Super Lançamentos” e não me interessei por filme nenhum enquanto duas televisões exibiam um show da Amy Winehouse. Ela pode ser burra, drogada, maluca, bruxa, o que quer que seja, mas é uma cantora fora de série. Bati o olho no filme “Ela é o Cara”, com Amanda Bynes no papel principal, e me lembrei que já estive perto de ver essa porcaria no cinema com os meus amigos. Mas e se o filme não fosse de todo ruim e eu estivesse sendo preconceituoso? Peguei então a caixa para ler a sinopse, mas antes bati o olho em uma daquelas críticas positivas de jornal que dizia “não é como as grande maioria dos filmes de comédia…”. Li mais umas seis vezes só para me certificar do erro inadmissível e fui pra casa sem ler a sinopse. Depois os meus amigos e as pessoas em geral não entendem porque eu vou ao cinema sozinho.

         Abri a geladeira, peguei um mate. Entrei na sala, liguei a TV. Os convidados do programa “Bem, Amigos” do Sportv eram Diego Souza, do Palmeiras, e Rogério Ceni, do São Paulo. Gosto muito deste programa, porém raramente assisto. Tanto que eu não sabia que o cardápio do jantar era exibido ao vivo. Rogério Ceni, assim como eu, estranhou o prato “perna de carneiro” – “perna de carneiro?”, disse ele, sem resposta. Será que ele pensou a mesma coisa que eu? De que o certo seria pata de carneiro? Mas quem disse que pata de carneiro é o certo? Desliguei a TV e mergulhei no primeiro conto do livro “Os Dublinenses”, de James Joyce. Parei de ler na terceira página, após a leitura do trecho abaixo:

 

“…E é isso que me dá forças hoje em dia. A educação é importante e tudo o mais… Mr Cotter vai aceitar um pedacinho dessa perna de carneiro – ele acrescentou, dirigindo-se a minha tia.”

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