Archive for the ‘Indagações’ Category

A análise do perfil dos frequentadores de boate

14 de abril de 2010

Você já reparou que quando uma boate está um pouco mais vazia que o normal, muitas pessoas dizem que a noitada foi um fracasso, que o lugar não é mais o mesmo e que deveriam ter ido para a boate ao lado?

Pois é. A ausência de trinta pessoas num local escuro, fechado e barulhento pode desencadear uma série de decepções, como se isso fosse a coisa mais importante da noite.

Eu até entendo o lado dos homens e mulheres que vão a uma boate unicamente para beijar na boca. Em outras palavras, se tem pouca gente disponível para essa função, há de se convir que a night desses seres taradinhos não foi boa.

Mas e o que dizer das mulheres e homens que só saem pra dançar ou se divertir com os amigos? Por que diabos esses indivíduos precisam que a boate esteja cheia até o talo? Não basta que ela esteja mais ou menos cheia? (Veja que eu não estou falando de uma boate vazia, com 10 pessoas pastando pela enorme pista de dança. Concordo que isso é deprimente. Leia o troço direito. Se possível, releia o que eu escrevi. Obrigado.)

Refleti bastante no fim de semana acerca do perfil desses “bombantes dançarinos arrozes de boate” e cheguei aos seguintes motivos pelos quais eles preferem a discoteca cheia:

1) A fila do banheiro fica enorme: Nada melhor do que esperar trinta minutos para fazer xixi quando você está louco de vontade, não é mesmo?

2) O banheiro fede que é uma beleza: Tem coisa mais emocionante do que se sentir em pleno estádio Mário Filho num sábado à noite?

3) Mais gente pra dar toco: Para quem foi pra boate dançar, nada melhor do que perder metade do seu tempo se esquivando dos seres taradinhos. É ou não é?

4) Fila gigante pra pagar: Depois de dançar a noite toda e não se aguentar mais em pé, muito melhor pegar uma fila de uma hora pra pagar a conta do que ir direto pra casa. Pra mim isso é tão óbvio quanto o poder de criação do meio de campo da seleção brasileira. E pra você?

Quem foi o asno que inventou o termo “de trás pra frente”?

3 de novembro de 2009

O correto não seria “de frente pra trás”? Dizer que um filme é “de trás pra frente”, na minha opinião, é afirmar que este foi filmado à partir do início até chegar ao fim, ou seja, não há nada de anormal nisso. No entanto, me parece sensato dizer que um filme “de frente pra trás” começa pelo fim e vai caminhando para trás, até chegar ao início.

 

E agora?

O grande erro da L´Oréal Paris

30 de janeiro de 2009

Desde que eu me entendo por gente a L´Oréal Paris faz pouco caso do Brasil em termos publicitários. Tratam a gente, quer dizer, as mulheres, como idiotas. Até quando vão continuar exibindo na TV anúncios dublados? Ninguém aguenta mais ver a Penélope Cruz ou a Sandra Bullock como se fossem o “Fucker and Sucker” do Casseta e Planeta. Não creio que seja muito caro colocar a Grazi Massafera – que foi contratada recentemente para ser a garota propaganda deles, só que de mídia impressa – também na TV.

Eu não sei quem é o responsável pela publicidade da L´Oréal por aqui, mas aposto cerca de duzentos reais que seja um francês, daqueles bem cabeça-dura e arrogante -“ah, arruma o dublador mais barato que tiver, só de ver uma celebridade gringa na TV, a consumidora brasileira vai gostar”.

Sorte que eles têm um produto excepcional, porque se fossem depender da qualidade e da criatividade dos seus anúncios na TV, a coisa estaria bem feia pro lado deles.

Obs.: Hoje (4 de fevereiro) eu descobri que a MTV é o único canal brasileiro que exibe um anúncio da L´Oréal feito por Vjs da emissora, ou seja, não é dublado.  Isso é um bom caminho, mas e quanto à Globo, SBT, Bandeirantes e muitos outros?

Por que as mulheres gostam tanto de se casar?

27 de dezembro de 2008

Basta dar uma olhada nos presentes que as crianças recebem. Enquanto os meninos recebem carros de corrida, bola de futebol e videogame, o quê as meninas recebem? Ora, elas recebem bebezinhos para amamentar, bonecas para vestir de tudo que é tipo de roupinha possível, casinhas para montar e decorar os cômodos e ainda a Barbie e o Bob que fatalmente vão se apaixonar.

Obs.: Este é o post do dia 2 de janeiro. Resolvi antecipá-lo pois não terei acesso à internet ou então se eu tiver, não vou querer acessar. Feliz ano novo a todos!! E lembrem-se, digam feliz ano novo, não digam “boas entradas”, que é muito feio.

Adoradores Enrustidos de Galvão Bueno

24 de outubro de 2008

Mesmo com comidinhas sensacionais, caipirinhas suculentas e grandes clássicos inusitados da década de 80 executados pelo “DJ Pod”, muitos convidados se acotovelaram no quarto da aniversariante – tinha gente sentada no chão, na cama e até em pé – para acompanhar a final masculina de vôlei das olimpíadas de Pequim entre Brasil e Estados Unidos. Xingamentos ferozes, não obstante a presença de lindas moças, eram ouvidos a cada ponto, seja do Brasil ou do adversário. Mas devo dizer que a escolha do canal me abalou pelo menos cem vezes mais do que a maneira pela qual os homens procuravam impressionar as moças solteiras ali espremidas.

 – Por que a gente não vê na Globo? Com o Galvão Bueno tem muito mais emoção! – teria dito eu.

Quase fui expulso do quarto. Dos cerca de vinte presentes, apenas um ou dois timidamente concordaram comigo. Disseram que o Galvão era um imbecil, que era inadmissível ele narrar futebol, natação, Fórmula 1, atletismo, que isso seria muita pretensão não só da sua parte, como da parte de qualquer ser humano. Ouvi as críticas calmamente e rebati:

– Vocês conseguiriam ver uma final de Copa do Mundo pela televisão, com o Brasil jogando logicamente, sem a narração do Galvão?

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Parecia aquelas transmissões internacionais ao vivo, onde o enviado especial leva um certo tempo para ouvir a pergunta do jornalista que está no Brasil. Responderam com menos veemência, mas mantiveram a postura anti-Galvão, deixando bastante nítido para mim que o orgulho deles tinha falado mais alto.

Concordo que ele fala muita bobagem, mas a emoção transmitida em suas transmissões nenhum outro narrador transmite. O que seria do Ayrton Senna sem o Galvão? Podem me xingar que eu não ligo. O que seria do Rrrrrrrrrrronaldinho sem ele? O que seria do Taffarel – “sai que é suuuuuuuuuuua Taffarel”? O que seria do programa “Bem, amigos”? O que não falta por aí é anti-Galvão assistindo jogo na Globo com a desculpa de que a transmissão do Sportv é pior. Conta outra, ok? Está cheio de comunidade no Orkut pregando o seu fim, mas eu acho que muita gente que diz que ele é ridículo, poderia tranquilamente fazer parte da comunidade “Adoradores Enrustidos do Galvão Bueno”.

Los Hermanos não é flor que se cheire

22 de agosto de 2008

 

          Suponha que uma banda de rock esteja fazendo muito sucesso no Brasil. Podemos chamá-la de Quadrado Redondo. Durante o processo de composição do terceiro disco, o vocalista e principal compositor resolve escutar um pouco de João Gilberto e Paulinho da Viola, apenas para expandir seu conhecimento musical. Marcão a princípio gosta das músicas, mas nada que se compare ao bom e velho rock ´n roll que ele está habituado a tocar com a banda – de três ou quatro acordes.

Com as tardes livres, sem nada para fazer, à espera dos shows do fim de semana, ele pega o violão empoeirado que estava no armário e tenta tocar aquelas músicas complicadas com a ajuda do site Cifra Club, que vem com os acordes mastigados. Outros artistas como Chico Buarque, Lenine, Casuarina e Zeca Pagodinho, também entram no seu iPod e o que era para ser um mero estudo musical, se torna uma paixão, uma nova religião. Marcão não sente mais a mesma empolgação de antes nos shows, mesmo com milhares de adolescentes cantando suas músicas a plenos pulmões e dois meses depois ele apresenta ao seus amigos de banda as dez canções que ele compôs para o novo álbum.

Com letras mais poéticas, melodias calmas e harmonias complexas, o material novo assusta o baterista, o baixista e o guitarra base, que se reúnem no mesmo dia para discutir a questão. Na reunião fica decidido que os três vão tentar convencer Marcão a continuar com o modelo de composição que deu certo nos álbuns anteriores e deixar o novo estilo para um trabalho paralelo. Marcão não aceita o pedido dos amigos e uma nova reunião, novamente sem o vocalista e guitarra solo, é marcada.

Neste novo encontro eles concluem que algumas bandas como os Los Hermanos mudaram radicalmente o estilo musical ao longo da carreira e nem por isso perderam público, muito pelo contrário na verdade, eles ganharam mais público ainda. Também chegam num consenso de que não seria uma boa idéia tirar o Marcão da banda, já que grupos como os Raimundos não conseguiram se manter na mídia sem o seu vocalista.

Cinco meses depois a banda acaba. Os fãs acham o disco calmo demais enquanto que os ouvintes das bandas que influenciaram o Marcão neste novo disco concordam que o garoto tem algum talento para samba e MPB, mas nada que os fizesse querer escutar aquelas canções em casa, tampouco ir a um show.

         Quanto mais conhecimento advocatício um advogado adquire, melhor será o seu rendimento profissional – não há dúvidas quanto a isso. O mesmo vale para um administrador, um médico e para milhares de outros profissionais. Conhecimento musical no entanto, para muitos artistas que estão tocando na TV e no rádio, pode suscitar uma grande tragédia, já que eles podem se apaixonar por algum artista bem diferente e trair seus fãs e o estilo musical que desenvolveram ao longo dos anos. Além do Los Hermanos e dos Beatles, quem mais conseguiu mudar sem se danar?