Archive for the ‘resenhas de shows e discos’ Category

Forfun for all

23 de março de 2009

A banda Forfun vai tocar no Circo Voador dia 28 de março e é bem provável que eu, com apenas 27 anos nas costas, seja o espectador mais velho entre a molecada que estará presente no show. Esta lamentável realidade condiz com o que muitos amigos ou conhecidos meus da minha idade clamam: “não passam de uma bandinha de rock adolescente”. Apesar de eu achar o primeiro disco sensacional, admito que a opinião deles, vista de um determinado ângulo, pode até ter algum sentido, mas seria injusto, muito injusto, seguir adiante com esta classificação depois de “Polisenso”, o segundo álbum da banda carioca.

Com letras mais filosóficas, hardcore deixado de lado, mais ênfase na música eletrônica e nos grooves, só que sem perder o rock e a identidade, a nova fase do Forfun o coloca diante de um público potencial com maior desvio etário que os seus compatriotas Strike, Diwali e Darvin, só para citar alguns exemplos. Se no primeiro disco este desvio etário ia dos 10 aos 18 anos, eu diria que agora, na base da intuição, vai no mínimo dos 10 aos 26 pois conseguiram heroicamente manter os fãs do CD de estréia e estão prontos para conquistar a turma do 18-26, que inclui aqueles que os rotularam de “bandinha de rock adolescente”.

Mas como abocanhar essa gente?

Se ao menos eles deixassem o preconceito de lado e ouvissem o disco novo uma única vez, já seria um bom caminho – pra não dizer a solução.

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“Vamo chacoalhar o esqueleto”

7 de agosto de 2008

 

Você conhece alguma banda que seja influenciada (só para citar alguns exemplos) por Dibob, Ray Charles, KLB, Nando Reis, Kid Abelha, Seu Jorge, Manacá e Moptop? Você conhece alguma banda independente que faz cover de banda independente? Pois é. Essa banda existe e se chama Cabelo Veludo.

Liderada por Leonardo Carvalho, cantor e autor das canções, a banda se apresentou esta terça na Melt abrindo a noite, que ainda teve mais duas bandas. Espero que eu nunca tenha que tocar depois deles. Se um dia eu calhar a me apresentar no mesmo dia que o Cabelo Veludo, vou torcer para que seja antes ou muito tempo depois. Não sei se teria coragem de subir ao palco depois do hit “Azaração”que, se não bastasse a letra sensacional, tem ainda a dancinha característica do Leo (lembra um caranguejo sambando na velocidade cinco da dança do Créu), as palmas marcantes estilo polichinelo e o clássico mergulho no palco onde ele permanece deitado por alguns segundos com as pernas se movendo no ar. Fabrício, baterista da banda Contraplonge (que subiu ao palco depois deles, que coragem, mas fez um show bastante competente) e atual baterista do Cabelo Veludo, criou até uma comunidade no orkut dedicada à impagável dança do Leo e a descreveu muito bem numa única frase: “É como se o chão estivesse quente, muito quente”.

Além do lendário “vamo chacoalhar o esqueleto” que ele pronuncia antes de várias canções, Leo surgiu com “oh yeah”, que deve ter sido pronunciado mais de quinze vezes – antes, durante e depois das músicas. Não sei há quanto tempo ele trabalha com “oh yeah”, mas eu não conhecia. Espero que ele faça novamente nos próximos.

Segue abaixo a letra de “Karen”, um dos clássicos do grupo:

 

Eu gostaria de beijar
Sua boca de mel
Você é minha gata
Minha gata querida
Minha gata querida

Eu quero você
Você em meus braços
Eu quero você
Você em meus braços
Você em meus braços

Karen por favor
Não machuque o meu coração
Porque eu gosto de você
Pra valer

O teu sorriso é tão ardente
É bem caliente
E é pura sedução
E é pura sedução

Karen por favor
Não machuque o meu coração
Porque eu gosto de você
Pra valer

 

 

Acho que essa letra sintetiza bem o que é encontrado em todas as músicas: inocência, honestidade, humor e esperança no amor. Porém, tenho lá minhas duvidas se o humor nas letras é algo que ele realmente busca ou aparece meio que sem querer. E falando em esperança no amor, ele tem uma música chamada “Esperança do Amor”, que é a minha preferida. É uma pena que essa música não seja muito tocada nos shows. Eu pelo menos nunca vi.

Outra novidade para mim no show da Melt foi ver o Leo tocando guitarra base em todas as músicas, exceto “Azaração”. Gostei muito dele tocando guitarra, mas prefiro ainda ele só cantando. Leonardo Carvalho é conhecido como um cara que tem um enorme coração. Talvez seja por isso que ele tenha decidido tocar guitarra, como uma forma de dar espaço também para os outros grupos, não ofuscá-los tanto assim, já que um show inteiro com ele só cantando é covardia.

 

Ouça agora “Karen” e “Azaração”: http://www.myspace.com/cabeloveludo

 

L´Homme Gelé

18 de julho de 2008

O texto abaixo foi escrito em 2003, entre os dias 6 e 10 de abril.

A finalidade daquela curta viagem de metrô até a estação Opéra era sem dúvida curiosa, diria até bizarra, mas fui assim mesmo. Apesar de nunca ter dado muita importância a artefatos do gênero, algo me dizia que estava prestes a fazer um bom negócio comprando um perfume exótico no Museu do Perfume. Uma vez no nível dos carros após ter ficado submerso desde a estação Odéon, me faltariam três quarteirões para chegar ao destino. Quando estava ainda no primeiro quarteirão, não pude deixar de reparar numas letras vermelhas,enormes e gritantes esparramadas num outdoor do outro lado da rua, mas como não conseguia distinguí-las devido aos galhos de árvores que as ofuscavam (só dava pra ler as letras O e R), continuei andando como se aquilo não existisse.Um pouco mais adiante, ao olhar novamente para o outro lado da rua, quase cai pra trás. A união das letras que estavam encobertas formavam agora duas palavras: JAMES TAYLOR.

James Taylor e Paul Simon são indubitavelmente os artistas que mais dei atenção nos últimos doze meses e a maior prova disso está nos únicos DVDs que comprei aqui em Paris: Paul Simon ao vivo em Paris(2000) e James Taylor ao vivo nos EUA(2001). O bilheteiro me disse que o show aconteceria naquele mesmo dia e que os ingressos já tinham se esgotado há milênios. Não pensei duas vezes, tirei 80 Euros no banco e fui para a porta do Olympia às 19:30, uma hora antes do início do show. Os cambistas pediam 200 Dólares, mas sabia que cedo ou tarde eles teriam que mudar de discurso para não sairem no prejuízo.Vencido pela ansiedade, acabei pagando 70 Euros no ingresso de 35 Euros mesmo sabendo que talvez pudesse pechinchar ainda mais.

Como o DVD que possuo faz parte da mesma turnê, pensava que iria ver os mesmos músicos e músicas, e aquilo me deixava chateado a ponto de pensar que tinha me precipitado em pagar tão caro por algo que já conhecia. Mas ao olhar bem para o palco antes do início do show, notei que faltava a percussão de Luis Conte que havia gravado o último CD (October Road) e que também toca no DVD. E aquilo significava muita coisa. Logo pensei,”JT pode ter contratado outros músicos,mudado de repertório e arranjos…”.  

O pior é que estava certo! James Taylor sobe ao palco às 20:50 trazendo seis músicos ao invés de 12, abre o show com uma música inexistente no DVD e suas primeiras palavras espantam meu arrependimento dos 70 Euros: “The Secret of Life is enjoying the passage of time”!

Um pouco antes do show, um homem aparentando uns ciquenta anos havia me perguntado como era possível um garoto tão jovem como eu conhecer James Taylor. Disse a verdade, ‘foi graças ao meu pai…’.

 

“Einstein said that he could never understand at all

Planets spinning through space

The smile upon your face

Welcome to the human race

Isn’t that a lovely ride?”

 

Outros versos dóceis eram emitidos enquanto muitas pessoas recém-chegadas procuravam seus respectivos lugares com a ajuda de um lanterninha e além de pertubarem os outros, certamente desconheciam que “Secret Of Life” correspondia ao álbum “JT” de 1977 e que 3 backing vocals, dois músicos de sopro e um percussionista não faziam mais parte da banda daquele careca de 55 anos. Também não sabiam que o novo baterista da banda era o mesmo que havia gravado “October Road” e que tocava frequentemente com Paul Simon há mais de vinte anos, mas no entanto, qual seria a utilidade dessas informações para eles?

Steve Gadd começa mostrando sua sutileza e elegância no meio da segunda canção(“Copperline”) e acaba roubando a cena juntamente com o lindo backing vocal de Arnold McCuller em “October Road”, logo em seguida onde James também se utiliza de bonitos versos:

 

“Oh promised land and me still standind

It’s a test of time it’s a real good sign

Let the sun run down behind the hill

I know how to stand there still

Till the moon rise up behind the pine O’Lord

October Road”

 

É bom lembrar no entanto que ele fala dessa mesma terra prometida, desse mesmo sol se pondo e da mesma lua nascendo em centenas de outras canções. Aliás, muitas delas foram tocadas no show: “Carolina in my mind”, “Country Road”,”You can close your eyes”,”Jump up behind me” e “Sweet  Baby James”.

A única canção que dava pra ouvir nitidamente a voz do público era justamente a manjada “You’ve got a friend”. Coincidência ou não, a canção mais manjada de Paul Simon (Bridge Over troubled Water) também aborda o mesmo assunto.

Para a minha surpresa, James falava um francês muito bom.Dizia uma frase em inglês e depois repetia-a em francês num ciclo interminável.Em alguns momentos ele não conseguia se auto-traduzir e era bem engraçado.

A melhor música do show foi “The Frozen Man” ou segundo Taylor “L’homme

gelé” que conta a história de um homem que ficou congelado durante cem

anos mas depois que foi encontrado e retirado do gelo,voltou a viver.Segundo Taylor,esta história é verdadeira.Será?Vai ver este tal homem de gelo é ele mesmo…

Muito antes de encerrar o show com Sweet Baby James, cantar “You can close your eyes” ao lado de Sting(The Police) e ainda tocar gaita, James dedica “Shower the people” à guerra e relembra ter escrito “Line’em up”(que se refere à hipocrisia dos presidentes americanos e a naturalidade pela qual eles trocam de nomes sem trocar de ideologia) durante à primeira guerra do golfo, e chegou a dizer algo muito forte contra seu próprio país:”Je crois que après ça on va brûler un drapeau”. Acho que não só eu como todos ali presentes, interpretaram aquilo como queimar a própria bandeira americana.

Som que pega na veia

4 de julho de 2008

Estava trabalhando num artigo sobre o grupo de punk rock MxPx para postar hoje aqui no blog, mas como estou em Paraty desde ontem e esqueci o texto no Rio, estou nesse momento escrevendo um novo, diretamente de um cybercafé local que custa somente R$ 3 por hora, sobre uma banda do underground que tem tudo para despontar no mainstream chamada NV. Estou sem o meu dicionário eletrônico e isso me deixa um pouco desanimado para continuar, uma vez que eu não confio nos dicionários gratuitos da internet, mas vamos em frente. Alguém conhece um bom, aliás, desses que se encontra no google? Por um momento me veio à cabeça o seguinte pensamento: “Existem trilhões de blogs hoje em dia na Internet e as pessoas que gostam de ler de verdade só pensam nos autores consagrados, muitos dos quais já estão mortos, os que lêem pouco estão nos best sellers, não que isso seja ruim, muito pelo contrário, estou mais para esse grupo de leitores inclusive, e há também os que não lêem nada, ou melhor, eles lêem e-mails de piada até cinco linhas e o caderno de esportes.” Mas enfim, acho que pensei nisso para mostrar como é difícil manter um blog que tenha um grande número de visitas semanais, como é o caso do Tribuneiros.com, do meu amigo Carlos Andreazza. Tudo bem que ele, Pim e Bruna são muito talentosos e disciplinados, mas ainda assim, pelos motivos descritos acima e por muito outros como trabalho em excesso, filhos e namoro, eu tiro o meu boné para eles. Eu tiro e guardo no armário porque não gosto de bonés.

Não gosto de escrever sobre artistas nacionais. Imagina se eu falo mal de um grupo aqui no blog e amanhã estou fazendo um show com este mesmo grupo? Também não vejo com bons olhos um monte de artigos falando bem de artistas nacionais, sobretudo de bandas do undergound, porque muitos grupos de conhecidos ou amigos, podem achar que eu não gosto do trabalho deles simplesmente por não terem recebido espaço no blog. Pode ser frescura minha, que seja.

Era uma segunda-feira de abril se não me engano. A boîte / restaurante Melt, ao lado da minha casa, abria suas portas para uma noite de rock onde cerca de 6 bandas iriam tocar 3 músicas cada uma, visando a participação no Mada em Natal, um dos maiores festivais do país. Não era a primeira vez que eu saia da minha casa para assistir eliminatórias de festivais como o Mada na própria Melt ou no Teatro Odisséia. E também não era a primeira vez que eu saia da minha casa para assistir bandas descartáveis. Bastaram no entanto trinta ou vinte segundos da primeira música que o NV tocava naquela noite para eu ficar boquiaberto (é assim que escreve?). O tipo de som que eles tocam não é o que costumo ouvir em casa, mas quando pega na veia, origem do nome abreviado do grupo, normalmente é gol. E foi gol. Golaço.

Estão me chamando aqui, eu preciso realmente ir almoçar e ainda tenho que rever e postar o texto no blog. Mas antes de encerrar esse texto, queria apenas dizer que eles conseguem mostrar que são excelentes músicos sem ser presepeiros, o que é muito difícil hoje em dia e que no myspace deles, http://www.myspace.com/nvdivulgacao, já dá pra ver que o grupo é muito bom, mas é ao vivo que o bicho pega. E vai ter show dos caras no Odisséia dia 9 de julho, final das seletivas para o Mada. Podem ir sem susto.

5 segundos que valem o disco inteiro – Never Die Young (1988), James Taylor

20 de junho de 2008

 

“Never Die Young” é o meu mais novo amigo no myspace. O bom e velho James Taylor, além do seu próprio myspace, criou também outros myspace para alguns de seus álbuns, como é o caso de “Gorilla”, “New Moon Shine” e “October Road”. A faixa que dá nome ao disco é a razão pela qual estou escrevendo sobre este álbum de 1988 especificamente e não sobre outros álbuns como “October Road” e “Hour Glass” que de um modo geral são até melhores que este.

A letra de “Never Die Young” segundo o próprio James Taylor, seu criador, não tem muito nexo. Numa gravação ao vivo na Itália que encontrei no youtube que vale muito a pena assistir inclusive, – http://br.youtube.com/watch?v=Flgr_ld8V18 – ele diz que até hoje continua sem saber o significado da canção. Talvez a grande maioria de suas estrofes não tenha mesmo um significado digamos, palpável, mas eu não diria o mesmo da última:

 

Oh, yes other hearts were broken
Yeah, other dreams ran dry
But our golden ones sail on, sail on,
To another land beneath another sky”

 

            A tradução para o português ficaria mais ou menos assim:

 

“Oh, sim outros corações se partiram

Sim, outros sonhos secaram

Mas os nossos sonhos de ouro navegam, navegam

Para uma nova terra abaixo de um novo céu”

           

            Por mais que eu não acredite na vida após a morte, eu ainda assim me emociono com essa estrofe pois ela representa o sentimento de quase todos as pessoas do mundo. Me coloco na pele de um pai de família que pega pesado no trabalho e mal tem tempo para respirar. Um belo dia a sua mulher pede divórcio e leva os dois filhos para ir morar com ela numa cidade distante (“oh, sim outros corações se partiram”) e se lembra que teve que abdicar da carreira de historiador, sua grande paixão, quando o seu primeiro filho nasceu (“sim, outros sonhos secaram”) para arranjar um emprego ordinário que ao menos garantisse o leite da criança. Fico imaginando também que é justamente a crença num mundo melhor e mais justo (“sonhos de ouro”) que o mantém feliz e motivado aqui na Terra, mesmo depois de ter perdido a sua família.

Essa pequena história mostra que acreditar no paraíso está longe de ser um problema como pensam muitos ateístas e até mesmo a minha banda preferida, o Bad Religion. Como o próprio nome sugere, eles estão constantemente questionando em suas canções esta fé no paraíso ou em qualquer outra coisa que não seja material, como se o sagrado ou o processo da crença fosse algo absolutamente infrutífero para a humanidade. Entendo que para a vida de seus integrantes assim como para a minha, essas crenças são de fato inúteis, infundadas, mas não podemos deixar de considerar que sem elas, a grande maioria das pessoas estaria arruinada, sem qualquer tipo de esperança nessa Terra canina, ou melhor, nesse mundo cão.

            Eu havia dito no primeiro parágrafo que a música “Never Die Young” é a razão pela qual estou escrevendo este artigo. Na verdade, eu diria que um pequeno trecho melódico de cinco segundos no fim da canção é ainda mais forte que a própria, sendo assim, a verdadeira razão pela qual resolvi escrever este texto. O trecho vai de 3:25 a 3:30 e é justamente um dos versos da estrofe paradisíaca, ou melhor, um pedaço do último verso para ser mais exato: “beneath another skyyyyyyyyyyyyyyy ai”. A propósito, toda a melodia da introdução da música tocada na guitarra não fica muito atrás. Outro trecho melódico do disco muito interessante vai de 1:07 a 1:30 na música “Runaway Boy”, a segunda melhor do disco.

            Ouvidos não habituados ao som do James podem achar o disco um pouco chato e repetitivo. Se este é o seu caso, vá até a última canção, “First Of May”, e escute somente o trecho que vai de 1:40 a 2:00. Trata-se de uma linda e instigante levada de violão com uma percussão que ganha ainda mais cor e pressão com a chegada da guitarra e da bateria uns dez segundos depois. Tenho certeza que esta linda passagem de “First Of May” o deixará com mais apetite para escutar com atenção este histórico disco.

 

 

 

Acelerar? Pra Quê? – Disco “Accelerate” (2008), R.E.M.

7 de junho de 2008

 

Depois de dois excelentes discos de estúdio bem calmos, Reveal (2001) e Around The Sun (2004), a banda norte-americana R.E.M. está de volta com o barulhento Accelerate. A música que abre o disco parece uma mistura de Rolling Stones com Bob Dylan, não obstante a clara presença do estilo próprio que o grupo desenvolveu ao longo de seus mais de vinte anos de carreira. A segunda faixa, “Man-Sized Breath”, soa bem mais R.E.M. que a primeira e segue a mesma pegada rock esquecida nos dois últimos discos. Destaque para as viradinhas de bateria no refrão e do backing vocal que além de muito bem feito, fica sobrando sozinho no fim da música por alguns segundos, como se o engenheiro de som tivesse esquecido de fechar este canal na mixagem, até a entrada da melhor canção disparada do álbum: “Supernatural Superserious”. É aquele tipo de música que merece ser deixada no repeat por pelo menos uma meia hora e que dá vontade de imprimir a letra na internet para cantar junto no carro indo para o trabalho às sete da manhã com o volume no máximo, deixando os graves distorcidos e as caixas de som prestes a estourar.

A faixa 4, “Hollow Man” tem uma introdução serena bem no estilo das músicas do álbum Reveal (2001) que, aliás, é o meu preferido. Talvez seja por isso que eu não gostei muito do refrão, que parte para um rock acelerado, fazendo novamente jus ao nome do novo disco.

As únicas realmente baladas são “Houston”, faixa 5, e “Until The Day Is Done”, faixa 7. “Until The Day Is Done” tem mais brilho, é mais melódica e dá vontade de colocar no repeat por cinco ou dez minutos e o volume no 6 (supondo que o máximo seja 10) , enquanto “Houston” é mais experimental, menos pop, mas também é uma boa canção.

As demais faixas do disco (6, 8, 9, 10 e 11) não tem melodia, são sujas, esquisitas, sem sal, barulhentas e como não poderiam deixar de ser, bastante aceleradas. São músicas que somente os cegos devotos da banda irão amar de primeira. Se você não é uma dessas pessoas, se prepare para ouvir pelo menos dez vezes cada uma para quem sabe talvez, achar bom.

Apesar de ser um disco de rock, que em geral preza pelo destaque do bumbo e da caixa, na maioria das canções é o contratempo que está em evidência. O novo baterista mesmo sendo pouco técnico, faz um belo trabalho e eu particularmente gostei da mixagem suja da bateria e do contratempo em evidência. O timbre da guitarra também é sujo, o que para os padrões atuais de gravação pode até ser considerado que foi gravado sem cuidado, de qualquer jeito. Porém, acho que a intenção do grupo nesse disco, depois de dois álbuns cheios de timbres variados e bem trabalhados, foi justamente fazer um disco cru, sem firulas, rock n´roll e ponto. Respeito a proposta do grupo, mas fico com os dois últimos.